Código de conduta ética profissional do psicólogo

        Em destaque alguns itens do código de conduta ética profissional do psicólogo. Para ler o código na sua integra, acesse o site do Conselho Federal de Psicologia abaixo transcrito.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.

        O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população às informações, ao conhecimento da ciência psicológica, aos serviços e aos padrões éticos da profissão.

codigo-de-conduta-etica-profissional-do-psicologoDAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO
Art. 2º – Ao psicólogo é vedado:

a) praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão;

b) induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais;

c) utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer forma de violência.

Art. 4º – Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho, o psicólogo:

        a) levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as condições do usuário ou beneficiário;

        b) estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado;

        c) assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado.

Art. 9º – É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional.

Filosofia – Aula 10 – Moral e Ética – Duração 6:42.

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

Referencias

Conselho Federal de Psicologia. Código de ética. Acesso em 22 de abril de 2016. Disponível em 

Será que eu preciso de ajuda psicológica?

        Como você sabe que você precisa de ajuda psicológica? Você se sente culpado pelo que aconteceu. Você se desculpa dizendo que o jeito que você lida com as situações é assim mesmo! Você tem noção do quanto seus comportamentos prejudicam a sua vida.

        Você percebe que sua vida está limitada em algum aspecto pessoal, interpessoal, social ou financeiro. As coisas não andam. Você se sente limitado nas suas ações. Você não consegue mudar o seu jeito de ser.

        Então, uma ajuda psicológica pode fazer alguma coisa com você.

Uma ajuda psicológica pode colaborar:
  • Para ajudar você a suprir as suas necessidades;
  • Para ajudar você a expor os seus sentimentos e pensamentos sem julgar;
  • Para ajudar você a compreender que os pensamentos, sentimentos e comportamentos das outras pessoas são diferentes dos seus;
  • Para ajudar você a aprender novos comportamentos;
  • Para ajudar você.

        Você conquistara mudanças nas suas respostas emocionais e comportamentais proporcionadas pela ajuda psicológica. Você se sentira mais confiante. Você sentira aumento considerável na sua autoestima.

Você aprendera sobre si mesmo.

Nietszche

Mas como saber se você precisa mesmo de ajuda?

        Imagine que você caminha por uma das tantas calçadas esburacadas da sua cidade sem atentar para os seus buracos. Você pisa num desses buracos, se desestabiliza e cai no chão. Você pode se levantar sozinho. Você pode ficar caído. Você pode pedir ajuda para se levantar. Você aceita ajuda ou você não aceita e se levanta sozinho e segue o seu caminho.

        Você continua a sua caminhada sem atentar para os buracos na calçada. Guiado pelo seu anjo da guarda, você chegara ao seu destino sem mais nenhuma queda. Mas seu anjo também está desatento nesse momento e você queda de novo ao chão. Você pode ficar caído. Você pode se levantar sozinho. Você pode pedir ajuda. Você pode aceitar ajuda ou você não aceita ajuda e se levanta sozinho e vida que segue.

Você continua a sua caminhada, mais estressado a cada passo.

        Antes de terminar o quarteirão, você queda outra vez. Você então percebe que é a terceira vez que você cai. Você percebe que você caiu de novo e se pergunta o porquê. Você percebe que está sempre repetindo a mesma coisa. Você percebe.

        É assim que você sabe se precisa de ajuda para reconhecer as suas necessidades, se você precisa de ajuda para desenvolver recursos para alterar os padrões que lhe causam sofrimento.

        Mas você não procura ajuda. As pessoas que lhe cercam – sua família, seus amigos, os seus famosos preferidos e os seus personagens das telenovelas – lhe dizem que você precisa ter “força de vontade”, como elas. Você precisa ser “forte”, como elas. Você precisa ser.… como elas.

        É isso o que elas dizem para você, cheias de “boas” intenções. Mas, sabe, o que você precisa mesmo é ser como você é.

        Você não procura ajuda porque essas suas pessoas queridas lhe dizem: o psicólogo ira lhe dizer o que fazer. E você ainda pagará bem caro por isso. Elas lhes dizem que o psicólogo fara aquilo que elas fazem – dizer a você o que fazer. E elas não cobram quase nada por isso.

        Você recebera a ajuda do psicólogo clínico para reconhecer como você lida com a sua vida. E decidira, por si mesmo, o que fazer com esse novo conhecimento. Você é o único responsável pela sua vida.

Angustia, Fuga ou luta?

        Um rato fechado numa gaiola é submetido a descargas elétricas periódicas, transmitidas pelo chão dessa gaiola. Em resposta a cada descarga, ele se agita, mas sem ter como fugir, se imobiliza, inibe-se e cria lesões orgânicas, sucumbe ao estresse, sofrimento. Angustia.

                Outro rato agora está fechado em duas gaiolas com uma passagem entre elas. As gaiolas produzem descargas no chão, alternadamente. Ele foge de uma gaiola para outra quando recebe uma descarga. Embora sujeito a estímulos produtores de estresse, ele não sofre de nenhum distúrbio vegetativo durável e não desenvolve lesões orgânicas. Fuga.

        Agora, um rato fechado numa gaiola com outros ratos. Cada vez que se produz uma descarga, os ratos se agridem entre si. Essa reação agressiva espontânea, se bem que irracional (não direcionada ao estimulo do estresse) e ineficaz (não evita o estimulo do sofrimento), mas lhes permite evitar distúrbios vegetativos e lesões orgânicas duráveis. Luta.

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Angustia, Fuga ou luta?

        Esses fenômenos foram postos em evidencia pelas experiências de Henri Laborit (1914-1995). Em 1980, o cineasta Alain Resnais transferiu as experiências de Laborit para o comportamento humano com o filme Meu Tio da América.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

        Identificamos três tipos de comportamento realizado por um organismo em resposta a um estimulo aversivo: angustia, luta ou fuga. Se o organismo foge do estimulo, ele não desenvolve distúrbios e lesões duráveis. Se o organismo luta, mesmo que seus esforços sejam infrutíferos para erradicar o estimulo aversivo, o organismo não desenvolve distúrbios e lesões duráveis. Entretanto, se o organismo, diante de um estimulo aversivo, se imobiliza, não sabe o que fazer, nessa situação o organismo desenvolve distúrbios e lesões duráveis – o sofrimento.

 

Henri Laborit em “Meu tio da América” (1ªparte) – Dublado e legendas em espanhol – Duração 7:22. Você pode acessar outras duas partes pelo Youtube.

Mon oncle d’Amérique – My American Uncle (1980) de Alain Resnais, 1980 (filme completo) – Opções de legendas – Duração 2:01:00

O que é psicoterapia?

        A palavra psicoterapia é formada por duas outras palavras cujos significados contem alto grau de contaminação normativa.

        Psico, que vem de psique, de origem grega, adquiriu qualidades divinas ao ser entendido hegemonicamente como alma, embora os gregos antigos também a utilizassem para se referir ao sangue e à respiração.

        E terapia, também de origem grega, significava o tratamento de uma doença. Entre nós, está consagrada como o ato de curar. Podemos concluir então que psicoterapia é o ato de curar a alma de uma doença.

        Não é nenhum pouco espantoso, então, se temer a psicoterapia, já que é um “tratamento” para curar a sua alma de uma doença. Quer dizer, somente no início, porque no decorrer do processo terapêutico você pode descobrir que sofre de metástase psíquica.

        O que pode ser mais assustador do que você ser “tratado” de doente por ser o que você é?

Mas, afinal, para que serve a psicoterapia?

        Hoje se compreende que qualquer atividade que propicie bem-estar é terapêutico. Caminhar, jogar, cozinhar, correr ou falar dos outros. Espezinhar alguém, matar ou roubar, também é terapêutico para muitos. Então, terapêutico ainda tem a ver com cura?

        Atualmente, se diz terapêutico e não mais psicoterapêutico. Onde foi parar a psique, a alma? Ela se tornou prescindível? Quer dizer que você não precisa mais de uma alma? Que você não tem mais alma?De pernas pro ar

        Veja que apesar das qualidades divinas da alma, você a trata como um objeto, algo que “você” tem. Algo como uma família, um carro ou um sapato. Onde foi mesmo que você deixou a sua alma?

        Pois então, chega. “Eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou. Saber quem eu sou? ” (Cazuza, 1988). Você já não tem mesmo mais nenhuma alma para curar!

        A psicoterapia reúne um conjunto de técnicas especificas para facilitar a você a compreensão de si mesmo.

        De início, o simples compartilhar dos conflitos já ajuda a aliviar a pressão causadora do sofrimento. Durante o processo terapêutico, você passa a compreender como se formam os seus comportamentos. Desta maneira você pode perceber as situações por outros ângulos.

        O processo toma tempo, demanda esforço e comprometimento da sua parte. É um processo algumas vezes doloroso. Pode ser como tratar uma ferida.

        Mas afinal, o que é a Psicoterapia? A Psicoterapia consiste em sessões regulares de Psicologia Clínica.

        Ao longo das sessões de psicoterapia, você experiencia novas situações, emoções, outras facetas de si, novas formas de comportamento e se percebe que você consegue fazer coisas de forma diferente e satisfatórias para si.

        A psicoterapia nada mais é que um espaço para você dizer de si, para você ouvir a sua própria voz. É o espaço em que se torna possível você expressar a sua angústia – tão verdadeiramente sentida através daquele “aperto no peito” – e dar-lhe uma forma mais consciente de contornos firmes e concretos.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        Na Psicologia de Rebanhos o foco está em apreender a lidar de forma diferente com as nossas sensações, que se codificam em emoções, e, posteriormente, em sentimentos, que alicerçam os nossos pensamentos.

Você sabe para que serve o Sistema Nervoso Somático?

        Você sabia que o sistema nervoso somático é composto por neurônios sensoriais e motores? Que esses neurônios submetidos ao seu controle consciente gera as ações motoras voluntárias dos seus músculos? Como a movimentação de um braço ou de uma perna?

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        Você sabia que esse controle consciente tem relação com a sua sobrevivência e “a qualidade da sua vida”?

 Psicofisiología – Sistema Nervoso Periférico (SNP) – Duração: 3:59.

                Tal como a emoção, a sua consciência tem relação com a sua sobrevivência. A consciência também é uma função de sobrevivência. Assim como a sua emoção, a sua consciência é construída na imagem que você tem do seu corpo. Portanto para que você seja influenciado pelos seus sentimentos, você precisa ter consciência desses sentimentos (Damásio, 2015).

Sistema nervoso
Sistema Nervoso Central Encéfalo (Córtex Cerebral, Ponte, Hipotálamo, Tálamo, Bulbo, Cerebelo), Medula Espinhal.
Sistema Nervoso Periférico Nervos Cranianos, Nervos Espinhais, Plexo Nervoso.
Neurônios Pericário, Dendritos, Axônio.
Células da Glia Oligodendrócito/Célula de Schwann, Astrocitos, Ependimocito, Micróglia.
Meninges Dura-máter, Aracnoide, Pia-máter
Sistema Nervoso Autônomo Sistema Nervoso Simpático, Sistema Nervoso Parassimpático, Entérico.
Referencias

Damásio, António. O mistério da consciência: do corpo e das emoções ao conhecimento de si. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Wikipédia. Sistema nervoso somático. Acesso em 22 de abril de 2016. Disponível em.

Todo o mundo precisa de psicoterapia?

        Do que você precisa para viver? Será que você incluiria a psicoterapia como algo imprescindível para a sua sobrevivência? Você se olha e se vê como qualquer outro bicho-animal? Sendo um bicho-animal, você só precisa, para viver, de respirar, de comer e de alguém que cuide de você, até que você adquira comportamentos que o capacitem a cuidar de si.

        Quando você se olha e se vê como bicho-homem, a coisa fica mais complexa, as suas necessidades tornam-se ilimitadas.

        Dentre algumas necessidades básicas descobertas pelo bicho-homem, destaco três perguntas que alguns desses bichos fazem: quem sou eu, de onde eu vim e para onde eu vou?

        Esses são os bichos que precisam de psicoterapia, os perguntadores, os inquietos, os curiosos, os cientistas, os adeptos de religiões. E os insatisfeitos com as suas próprias respostas e as respostas dos outros para as suas questões.

        Tem, também, aqueles bichos que são levados para a psicoterapia por alguém, por engano ou por ocasião, pois não tem a menor ideia do que está se passando com eles.

        São aqueles bichos com dificuldades de aprendizagem, com dificuldades de concentração, com dificuldades de relacionamentos, com dificuldades de lidar com as dificuldades dos outros, enfim, em dificuldades.

        Há aqueles outros bichos com indefinições profissionais, vítimas de abusos sexuais dentro da própria família e fora dela, vítimas do alcoolismo, com falta de foco, com falta de projetos de vida, com falta de amor, com falta.

Homem crocodilo

Mas também tem aqueles bichos que procuram a psicoterapia por vontade própria.

 

        Aqueles que querem entender os amores desfeitos ou que estão por se desfazer ou como fazer um. Aqueles que ainda querem entender os complicados relacionamentos com os pais ou com os filhos. Aqueles que tem sentimentos de rejeição e blá blá blá.

        Ah! Tem também aqueles bichos desenganados pela medicina. Parênteses – o médico desengana porque não tem um remédio para receitar, um procedimento novo para fazer ou uma cirurgia para indicar – Fecha parênteses. Então, eles são orientados para procurar a psicoterapia porque os motivos das suas queixas são de “fundo emocional”.

Os “amigos-bichos” dos bichos desse grupo, os bem adaptados a vida, diriam que é “frescura” deles, os bichos.

        E mais alguns tantos outros bichos precisam de psicoterapia por motivos impensáveis como a asma, gagueira, hipertensão, dores no corpo, insônia, depressão, irritabilidade e outros incômodos crônicos menos famosos.

        Os bichos buscam a psicoterapia ou são levados até ela? Algo parece comum, muitos bichos buscam a psicoterapia para encontrar respostas para a sua vida. E, por incrível que pareça, não é que eles encontram! Os bichos encontram uma pessoa em si mesmos. Alguém que sempre esteve ali com eles e eles ainda não tinham percebido.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        A Psicoterapia é indicada para aquele que deseja mudar um comportamento, um sentimento, um pensamento. É claro que é possível proceder a essa mudança sozinho. Basta saber como proceder. A Psicologia acredita que estar acompanhado numa mudança de um jeito de ser é mais indicado do que fazer sozinho.

        É que o nosso jeito de ser se produz na relação com o outro. E, portanto, o que se pretende mudar é a forma com que nos relacionamos com o outro. Essa relação com o outro, além do comportamento explicito da interação com alguém, também se refere ao jeito como nos relacionamos conosco. Também se refere ao relacionar-se consigo mesmo.

        Esse é um dos grandes desafios da psicoterapia: compreender como se relaciona consigo mesmo. Por isso a necessidade de acompanhamento por outra pessoa.

Saia desse corpo que não lhe pertence!

“Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”

(Clarice Lispector).

        Dou início, neste post, a investigação sobre a relação existente entre a pratica da tatuagem e a formação da subjetividade.

        Junto com você, pretendo identificar alguns processos de formação da personalidade que utilizam o corpo como meio para transformações sociais.

        Também pretendo, com a sua colaboração, articular um diálogo entre os conceitos que lidam com a construção da identidade, levando em conta que a subjetividade é um processo que não se origina no corpo, mas que se realiza no corpo.

        Vamos tentar compreender se a subjetividade tem origem no corpo ou se realiza no corpo, a partir das suas vivencias, seus movimentos, suas percepções, suas expressões e suas criações.

 

Capitulo 1

 

        Convido você a um passeio pela história do corpo no mundo ocidental para investigar as participações da pratica da tatuagem na formação da subjetividade.

“Podemos dividir os adeptos das modificações corporais em dois grandes grupos.

        O primeiro é formado por indivíduos que buscam se aproximar o máximo possível do padrão de beleza determinado pela sociedade. Dentre as práticas utilizadas podemos citar as dietas, a musculação, a cirurgia plástica.

        O segundo é formado por indivíduos que se utilizam de elementos e formas que não possuem correlato com os pertencentes ao corpo humano. Vinculadas as práticas de piercing, implante estético, escarificação e tatuagem. Esse último grupo pode ser dividido em seguidores da moda e por pessoas que compartilham de ideias e ideais em relação as modificações corporais” (Pires, 2005).

Tatuagem

        Você sabia que a tatuagem é utilizada “desde o início das civilizações para as mais diferentes intenções? Ela informa, seleciona, rotula, descrimina (também discrimina), enfeita, atua como identificadora de personalidades e de intenções. De acordo com a visão de quem a observa, pode atrair ou afastar pessoas” (Simões, 2011).

        Você já percebeu como a nossa sociedade prioriza a visão como o sentido mais desenvolvido?

        “A forma primeira com que o indivíduo percebe o outro está ligada a imagem? O ato de abstrair ou alterar as próprias formas, além de permitir ao indivíduo uma visão simbólica de si e de seus semelhantes, retirou da representação do corpo o rigor do funcionamento orgânico” (Pires, 2005).

        Essas transformações me sugerem uma pergunta: o meu corpo será sempre o meu corpo?

        Habitualmente, na cultura ocidental, costuma-se dizer que se tem um corpo e não que se é corpo. Assim sendo, parece ser necessário saber a quem este corpo pertence e quem seria este eu que afirma possuí-lo. A compreensão do humano ao longo da história foi transferindo a centralidade da vida para o órgão que sedia a dinâmica do pensar, o cérebro, tornando a pessoa algo como pensamento passeando em um corpo (Machado, 2011).

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        A Psicologia de Rebanhos valoriza todas as formas de dar sentido ao mundo. Consideramos em igualdade de importância para a compreensão do sentido, tanto o cérebro quanto os demais órgãos dos sentidos e os órgãos e vísceras e músculos não considerados propriamente dos sentidos. Na Psicologia de Rebanhos consideramos que somos o corpo. Parodiando a máxima de Descartes “Penso, logo existo”, dizemos “Existo, logo penso”.

 

Referências

MACHADO, Renato Ferreira. Humanidade, saúde e crise de corporeidade na pós-modernidade. Teocomunicação, Porto Alegre, v. 41, n. 2 p. 315-324, jul/dez, 2011. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

PIRES, Beatriz Ferreira. O corpo como suporte da arte: piercing, implante, escarificação, tatuagem. São Paulo: Editora SENAC, 2005.

SIMÕES, Renan. A Comunicação não Verbal Através da Tatuagem. XIV Conferência Brasileira dos Estudos da Folkcomunicação – “O artesanato como processo comunicacional” – IX Encontro Regional de Comunicação, 2011. Acesso em 21 de julho de 2015. Disponível em

Como posso ajudar?

Diversas terapias ressaltam:

        . O crescimento pessoal – como se você estivesse na vida para evoluir, que nem passistas num desfile de escola de samba;

        . A sensibilização – você precisa colocar para fora os seus sentimentos e as suas emoções – como se você fosse uma pessoa iradamente descontrolada, sem noção de que a vida não é um palco iluminado;

        . O encontro – o encontro consigo mesmo e com os outros, o tal do contato consigo mesmo, a tomada de consciência dos seus sentimentos e blá, blá, blá. Vai um “baseado” aí, amizade?

 

Algumas terapias transformam a vida das pessoas:

        . Com novas expectativas – a partir de agora você será uma pessoa diferente;

        . Com regras – se você fizer de tal maneira obterá tal resultado;

        . Com palavras de ordens – ame-se, seja feliz, relaxe.

        Essas terapias afastam você das suas próprias experiências. Dizem para que você seja uma pessoa aberta, amorosa e alegre. Assim você não presta a atenção no seu próprio processo, nos seus desejos e nas suas necessidades.

        Outras terapias constroem uma história da sua vida através da interpretação de tudo que você faz: você se atrasa para a sessão e o terapeuta quer saber o significado do seu atraso e não aceita a sua explicação por conta do transito caótico. Ele traduz a sua experiência para o sistema de crenças dele.

        Se o terapeuta tem intenção ou meta de não ser o que ele é, isso afeta a relação com você. Qualquer tentativa de modifica-lo, é uma afirmação de sua não-aceitação, tal como você é. A única meta do terapeuta é ressaltar a sua experiência de modo que você possa ser visto por você mesmo, razão de ser do processo terapêutico.

        Mas admita, a tentação para ser um ajudante capaz, eficaz e eficiente é imensa! É que você está convencido de que é incapaz ou impotente de resolver as suas dificuldades por si mesmo, pois você acha que precisa de uma força de vontade, de uma pílula, de uma cirurgia ou de uma magia que o modifique.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        Você é o único responsável pela sua vida. Ajudar não é fazer por alguém. A ajuda é para o ajudado e não para quem ajuda. Oferecer ajuda é diferente de fazer por alguém. Aquele que quer, pede ou precisa de ajuda é quem orienta onde, o que, quanto ou como ser ajudado. Por mais empático que o ajudador possa ser, ele nunca sentira o que sente o ajudado.

        As nossas sensações são singulares e intransferíveis, são as nossas sensações. As suas sensações são somente as suas sensações, de mais ninguém. É assim que a Psicologia de Rebanhos propõe ajudar. Ajuda para você vivenciar as suas próprias sensações.

Vídeo

POSSO AJUDAR? – Duração: 3:04

O guardador de rebanhos

        SOU UM guardador de rebanhos.

        O rebanho é os meus pensamentos

        E os meus pensamentos são todos sensações.

        Penso com os olhos e com os ouvidos

        E com as mãos e os pés

        E com o nariz e a boca

 

O guardador de rebanhos 7

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

 

        Por isso quando num dia de calor

        Me sinto triste de gozá-lo tanto,

        E me deito no comprido da erva,

        E fecho os olhos quentes,

        Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

        Sei a verdade e sou feliz.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        O desenvolvimento da linguagem proporciona ao homem criar uma enormidade de ideias de significados para as suas vivencias. Essa capacidade diversificada de criação linguística desqualifica as nossas outras formas de dar sentido a vida.

        A Psicologia de Rebanhos vem juntar-se ao poeta para mostrar que é suficiente compreender uma flor vendo-a e cheirando-a. As nossas sensações criam os nossos pensamentos. As sensações têm o seu jeito próprio de dar sentido ao mundo. A Psicologia de Rebanhos trabalha com a compreensão do como formamos as nossas sensações.

 

 

CAEIRO, Alberto. O guardador de rebanhos. In PESSOA, Fernando. Obra poética. . Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1974.