Mito, um sistema que tenta explicar o mundo e o homem

        Você sabe o que é mito? O dicionário Michaelis.UOL nos apresenta oito significados diferentes para a palavra mito. Neste texto, selecionei o significado de mito como um sistema que tenta explicar o mundo e o homem.

        Assim apresentado, o mito é um sistema que tenta explicar o mundo e o homem tão legitimo quanto o método das ciências ou o das religiões ou de outras crenças.

        Se você se der ao trabalho de ler os significados apresentados no dicionário citado (acesse o link aqui) concluirá que

“o mito atrai, em torno de si, toda a parte do irracional no pensamento humano, sendo, por sua própria, natureza, aparentado a arte, em todas as suas criações”.

 

O mito é um modo de significação, uma forma, um símbolo

        “A mitologia grega chegou até nós através da poesia, da arte figurativa e da literatura erudita”

        Os gregos que buscaram compreender o mundo e o homem, valorizando o racional em detrimento do irracional, subestimaram as explicações do mundo e do homem oriundas do mito. Os gregos “racionais”, cujo expoente mais celebre foi Sócrates (469-399 a.C.), via Platão (428-348 a.C.), nos legaram o significado de ficção para o mito.

        Os gregos racionalistas criticavam o mito porque tinham “uma ideia cada vez mais elevada de Deus”. Pois justificavam que “um Deus verdadeiro jamais poderia ser concebido como injusto, vingativo, adultero e ciumento”. Originava-se, assim, a ideia hegemônica de Deus dos nossos dias.

        Xenófanes (576-480 a.C.) considerava a ideia de Deus como algo “sério”, portanto, subjugando o mito como algo menor para a compreensão do mundo e do homem. Dando início a uma nova forma de poder sobre-humano. “Há um deus acima de todos os deuses e homens: nem sua forma nem seu pensamento se assemelham aos dos mortais”.

        Demócrito (520-440 a.C.) radicaliza com seu cientificismo quando afirma que “por necessidade da natureza, os átomos movem-se no vácuo infinito com movimento retilíneo de cima para baixo e com desigual velocidade. Daí entrechoques atômicos e formação de imensos vórtices ou turbilhoes de que se originam os mundos”, os seres, a alma, os deuses, mas tudo, porque tudo é matéria, está sujeito a lei da morte.

Mito, um sistema que tenta explicar o mundo e o homem

 
 

        Assim, para Demócrito, os deuses vulgares e a mitologia nasceram da fantasia popular. “Deus verdadeiro e natureza imortal não existem”.

A morte do mito

        Com Píndaro (521-441 a.C.), passa a ter voz o que já se encontrava em cena como cenário. “O homem não deve atribuir aos deuses a não ser belas ações. Este é o caminho mais seguro”. Assim, Píndaro, considerado o maior dos líricos da Grécia antiga, quantas vezes truncou, podou e alterou o mito, para torna-lo compatível com suas exigências morais.

        Também Esquilo (525-456 a.C.), o pai da tragédia, fez as suas modificações no mito para dele extrair tão-somente a variante sadia. “O dever do poeta, diz Esquilo a respeito do mito de Fedra, é ocultar o vício e não propagá-lo e traze-lo a cena”.

        Outra exigência do mito era a peregrinação como uma característica típica dos heróis, “mas eleger Atenas como ponto obrigatório de convergência dos mesmos, só se pode atribuir a intenções políticas”.

 

Mito, aquilo que diz outra coisa

        Assim, após o século 5 a.C., “os mitos não eram mais compreendidos literalmente”. Os mitos deixaram de ser os fenômenos que explicavam o mundo e o homem. Desde então, os mitos passaram a ser suposições, significações ocultas, subentendidos que imploravam compreensão.

        A partir do século 1, “os nomes dos deuses representavam sobretudo fenômenos naturais”. Os mitos não diziam mais o que diziam. Os mitos diziam outra coisa. Os mitos seriam, desde então, “uma máscara aplicada pelo autor a ideia que se propunha explicar”.

        Entretanto, quem diz que algo não diz o que quer dizer, abre espaço para que se diga o que se queira do que se diz que não diz. Assim, os mitos puderam também ser usados como uma alternativa para explicar o processo de apoteose de homens ilustres.

        E foi justamente essa mais recente representação do significado dos mitos que muito contribuiu para que a mitologia pudesse ter chegado até os nossos dias. Por ter “apimentado” os mitos com uma dose de caráter “histórico” e humano.

 

Referencias

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega: Volume I. Petrópolis: Editora Vozes, 1987.

DICIONÁRIO MICHAELIS.UOL. Mito. Acesso em 26 de agosto de 2016. Disponível em

Tatuar – Uma forma de pensar o corpo

Saia desse corpo que não lhe pertence!

Capitulo 3

        As formas de pensar o corpo, as intervenções e investimentos ao longo da história seguem “o conjunto de valores, costumes e normas instituídos pela sociedade” (Araújo e Aragão, 2005).

        “Nos textos Egípcios, Hititas, Babilônicos e Assírios, e nas civilizações ameríndias – Incas, Maias, Astecas – não existem referências específicas ao corpo. Nos 586 mitos ameríndios analisados por Lévi-Strauss a noção de corpo simplesmente não aparece“ (Deschamps, 1988 apud Ceccarelli, 2011).

         Uma múmia encontrada na região dos Alpes, entre a Itália e a Áustria, datada de 5200 anos, é a primeira pessoa tatuada de que se tem notícia e “traz cinquenta marcas de tatuagem na pele, situadas nas costas e atrás dos joelhos” (Araújo, 2005 apud Silva, 2010).

        Muito se especula a respeito da origem da tatuagem, em virtude de vestígios arqueológicos, pertencentes a vários períodos históricos, terem sido encontrados em diversas regiões do globo (Simões, 2011).

        “A arte pré-histórica deixou vestígios sobre a tatuagem ao registrar para a prosperidade desenhos e estatuetas de figuras humanas exibindo pinturas nos corpos, numa evidencia da possibilidade da prática dessa arte há centenas de milhares de anos” (Rodrigues, 2006 apud Silva, 2010).

        “Na antiguidade, a tatuagem já era utilizada na Grécia para distinguir as castas às quais pertenciam determinados indivíduos. Observou-se também que algumas múmias egípcias datadas do século XIV a.C. apresentavam marcas azuis de tatuagens” (Ferreira, 2012).

        O povo ateniense “valorizava o corpo como um todo, como uma unidade indivisível, não fragmentada, a liberdade era assegurada pelo privilégio de expor-se inteiramente” (Pires, 2005).

 

O corpo – objeto de prazer e de admiração

        “O corpo era visto como elemento de glorificação e de interesse do Estado. O corpo nu é objeto de admiração. A expressão e a exibição de um corpo nu representavam a sua saúde e os Gregos apreciavam a beleza de um corpo saudável e bem proporcionado” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

        Esse cuidar de si provocou no mundo helenístico e romano um individualismo, no sentido em que as pessoas valorizavam as regras de condutas pessoais e voltavam-se para os próprios interesses, tornando-se menos dependentes uns dos outros e mais subordinadas a si mesmas. Instaura-se então o que Foucault chama de cultura de si (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

 

Tatuar - uma forma de pensar o corpo

 

        “Ao longo da história da humanidade, a tatuagem flutuou por várias castas sociais, carregando combinações infinitas de signos, que, dependendo da época, transmitiam poder, cultura e realeza, ou então caracterizavam marginalidade” (Silva, 2010).

        “A prática da tatuagem consiste na realização de técnica e caráter estético, com o objetivo de pigmentar a pele, através da introdução intradérmico de substâncias corantes por meio de agulhas ou similares” (Ramos, 2001 apud Silva).

        Na Idade Média, por obra do cristianismo, a tatuagem foi abolida. Alterar o corpo, portanto, é gerar um desequilíbrio na ordem das coisas. Portanto, a tatuagem, como ato antinatural, é enquadrada dentro da categoria do impuro, associada a todos os valores negativos que a mesma contém. Isso quer dizer que a tatuagem como prática social tinha se construído no âmbito do “impuro”, da profanação corporal (Fonseca, 2003).

 

Com o cristianismo assiste-se a uma nova percepção de corpo

        “ O corpo passa da expressão da beleza para fonte de pecado, passa a ser ‘proibido’” (Barbosa, Matos e Costa, 2009). “A experiência sensorial deveria ser anulada em detrimento da espiritual. O corpo deixa de ser retratado nu” (Pires, 2005).

        “O apogeu dessa somatofobia se expressa na separação corpo/alma, ou corpo/espírito. Este dualismo rapidamente transformou-se em oposição corpo/alma. O espírito passou a ser visto como algo glorioso, divino” (Ceccarelli, 2011).

 

O cristianismo reprime constantemente o corpo

        “Por outro lado, (o corpo) é glorificado, nomeadamente através do corpo sofredor de Cristo. A dor física teria um valor espiritual. A lição divulgada era a morte de Cristo, o lidar bem com a dor do corpo, que seria mais importante do que saber lidar com os prazeres” (Tucherman, 2004 apud Barbosa, Matos e Costa, 2009).

        Relatos históricos mostram que o corpo sexuado da Idade Média foi majoritariamente desvalorizado, as pulsões e o desejo carnal, amplamente reprimidos. O culto ao corpo era considerado um verdadeiro pecado, e concebido principalmente como a vestimenta da alma; e a renúncia ao próprio corpo foi a base de sustentação do discurso da salvação da mesma (Cassimiro e Galdino, 2012).

 

Referências

ARAÚJO, Allyson Carvalho de; ARAGÃO, Marta Genú S. Os frutos da carne e os do espírito: Aproximações entre corpo e religião. Integração, ano XI, jan/fev/mar, 2005, nº 40. Acesso em 20 de julho de 2015. Disponível em 

BARBOSA, M. R.; MATOS, P. M.; COSTA, M. E. Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade; 23 (1): 24-34, 2011. Outubro de 2009. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

CASSIMIRO, Érica Silva; GALDINO, Francisco Flávio Sales. As concepções de corpo construídas ao longo da história ocidental: da Grécia antiga à contemporaneidade. Revista Eletrônica Print by Μετάνοια, São João del-Rei/MG, n.14, 2012. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em 

CECCARELLI, Paulo Roberto. Uma breve história do corpo. In Corpo, Alteridade e Sintoma: diversidade e compreensão. Lange & Tardivo (org.). São Paulo: Vetor, p. 15-34, 2011. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

FERREIRA, Deborah Cristina. O corpo como texto: analise discursiva da escrita no corpo. Revista Eventos Pedagógicos, v. 3, n. 1 Numero Especial, p. 138 – 146, abr, 2012. Acesso em 08 de março de 2015. Disponível em

FONSECA, Andrea Lissett Perez. Tatuar e ser tatuado: etnografia da pratica contemporânea da tatuagem. Florianópolis, agosto de 2003. Acesso em 08 de março de 2015. Disponível em 

PIRES, Beatriz Ferreira. O corpo como suporte da arte: piercing, implante, escarificação, tatuagem. São Paulo: Editora SENAC,2005.

SILVA, Bruna Cristina Daminelli. A tatuagem na contemporaneidade. Criciúma, julho de 2010. Acesso em 21 de julho de 2015. Disponível em

SIMÕES, Renan. A Comunicação não Verbal Através da Tatuagem. XIV Conferência Brasileira dos Estudos da Folkcomunicação – “O artesanato como processo comunicacional” – IX Encontro Regional de Comunicação, 2011. Acesso em 21 de julho de 2015. Disponível em

Louco, sim, louco, porque quis grandeza

D. Sebastião, Rei de Portugal

 

        Louco, sim, louco, porque quis grandeza

        Qual a Sorte a não da.

        Não coube em mim minha certeza;

        Por isso onde o areal esta

        Ficou meu ser que houve, não o que há.

 

        Minha loucura, outros que me a tomem

        Com o que nela ia.

        Sem a loucura que é o homem

        Mais que a besta sadia,

        Cadáver adiado que procria?

 

Mar português

 

        Valeu a pena? Tudo vale a pena

        Se a alma não é pequena.

 Louco, sim, louco, porque quis grandeza

 

Auto psicografia

 

        O poeta é um fingidor.

        Finge tão completamente

        Que chega a fingir que é dor

        A dor que deveras sente.

 

        E os que leem o que escreve,

        Na dor lida sentem bem,

        Não as duas que ele teve,

        Mas só a que eles não têm.

 

        E assim nas calhas de roda

        Gira, a entreter a razão,

        Esse comboio de corda

        Que se chama o coração.

 

Isto

 

        Dizem que finjo ou minto

        Tudo que escrevo. Não.

        Eu simplesmente sinto

        Com a imaginação.

        Não uso o coração.

 

        Por isso escrevo em meio

        Do que não está ao pé,

        Livre do meu enleio,

        Sério do que não é.

        Sentir? Sinta quem lê!

 

Vídeo:

“Conversação entre João e Maria” e “A Sonhar Eu Venci Mundos” – Duração 2:28.
Referencias

PESSOA, Fernando. Poesias. Porto Alegre: L&PM, 1996.

Vivemos numa época de insegurança externa e interna

        “Vivemos numa época de tamanha insegurança externa e interna, e de tamanha carência de objetivos firmes, que a simples confissão de nossas convicções pode ser importante, mesmo que essas convicções, como todo julgamento de valor, não possam ser provadas por deduções logicas.

        Surge imediatamente a pergunta: podemos considerar a busca da verdade […] como um objetivo autônomo de nosso trabalho? Ou nossa busca da verdade deve ser subordinada a algum outro objetivo, de caráter pratico por exemplo?

        Essa questão não pode ser resolvida em bases logicas.

        A decisão, contudo, terá considerável influência sobre nosso pensamento e nosso julgamento moral, desde que se origine numa convicção profunda e inabalável.

        Permitam-me fazer uma confissão: para mim, o esforço no sentido de obter maior percepção e compreensão é um dos objetivos independentes sem os quais nenhum ser pensante é capaz de adotar uma atitude consciente e positiva ante a vida.

        […] Além do conhecimento proveniente da experiência acumulada, e além das regras do pensamento logico, não existe, em princípio, nenhuma autoridade cujas decisões e declarações possam ser consideradas “Verdade” pelo cientista.

        Isso leva a uma situação paradoxal: uma pessoa que devota todo seu esforço a objetivos materiais se tornara, do ponto de vista social, alguém extremamente individualista, que, em princípio, só tem fé em seu próprio julgamento, e em nada mais.

        É possível afirmar que o individualismo intelectual e a sede de conhecimento cientifico apareceram simultaneamente na história e permaneceram inseparáveis desde então […].

        Qual é, pois, a posição do cientista de hoje como membro da sociedade?

        Evidentemente, ele tem orgulho de que o trabalho dos cientistas tenha contribuído para mudar radicalmente a vida econômica dos homens, pela eliminação quase completa do trabalho muscular.

Vivemos uma epoca de inseguranca interna e externa

        Ele sofre pelo fato de que os resultados do trabalho cientifico se tenham transformado numa ameaça a humanidade, por terem caído em mãos dos expoentes moralmente cegos do poder político.

        Ele tem consciência de que os métodos tecnológicos, que seu trabalho tornou possíveis, acarretam uma concentração de poder econômico e também político nas mãos de pequenas minorias que passaram a dominar completamente a vida de grandes massas humanas, cada vez mais amorfas.

        E o que é pior: a concentração do poder econômico e politico nas mãos de poucos não só tornou os cientistas economicamente dependentes, como também ameaça sua independência interior.

        O emprego de métodos de influência intelectual e psíquica evita o desenvolvimento de personalidades independentes.

        Assim, o cientista, como podemos ver com nossos próprios olhos, padece de um destino realmente trágico […] forjou os instrumentos que estão sendo usados para escraviza-lo e destrui-lo até interiormente […]. Tem plena consciência do fato de que a destruição universal é inevitável, pois o desenvolvimento histórico levou a concentração de todo o poder econômico, político e militar em mãos do Estado […].

        Não haverá nenhuma escapatória para o cientista?

        […]. Terão passado para sempre os tempos em que, guiado por sua liberdade interior e pela independência de seu pensamento e de seu trabalho, o cientista tinha a possiblidade de iluminar e enriquecer as vidas de seus semelhantes?

        Ao colocar demasiadamente seu trabalho em bases intelectuais, não terá esquecido sua responsabilidade e sua dignidade?

        Minha resposta é esta: pode-se destruir uma pessoa intrinsecamente livre e escrupulosa, mas esta pessoa jamais pode ser escravizada ou usada como um instrumento cego” (Einstein, 1950). *

* Esse texto é uma versão abreviada de uma mensagem que Albert Einstein dirigiu em 1950 ao 43º Congresso da Sociedade Italiana para o Progresso da Ciência.

Referências

EINSTEIN, Albert. O pensamento vivo de Einstein. São Paulo: Martin Claret Editores, 1986.

Reflexões quânticas e outras crenças

        Você acredita mesmo que viver e ouvir e falar notícias ruins irá fazer de você uma pessoa melhor? Você já ouviu falar sobre reflexões quânticas e outras crenças religiosas que idealizam uma vida melhor? Seja lá o que quer dizer esse melhor! Você gostaria de mudar a vida, as pessoas, o mundo? Que tal se você começasse mudando o seu jeito de viver e ouvir e falar e crer?

        Você acredita mesmo que incitando o ódio e a revolta e o desejo de justiça nas pessoas, você as tirara do comodismo e as levara para lutar pelos seus direitos, e, assim, elas estarão exercendo a cidadania? Você acredita que viver revoltado e com ódio evitara que as situações indesejadas se repitam na sua vida? Com certeza, o mundo independe da sua vontade, mas a sua transformação faz o mundo mudar.

O mundo ao seu redor é uma extensão de você

        O que você pensa e sente produz a realidade ao seu redor. Você é o único responsável pela sua vida. Mas você argumentara – a gente aprende pelo exemplo daqueles que nos rodeiam, o meio em que vivemos modela o nosso jeito de ser. Mas onde você entra nessa relação? A situação faz o ladrão? É nisso que você acredita? Que a sua vida está condicionada a atitude do outro?

        Você ainda vive numa cultura de resistência e reclamação. Quanto mais você resiste e reclama, mais você fortalece aquilo que combate. O seu cérebro não entende que você está querendo dizer não, pois, ao resistir, o seu padrão mental é correlato com aquilo que você combate. Lamento lhe informar, mas você se transforma naquilo que você nega! Quando você se revolta, se torna uma presa fácil da raiva, do ódio, da vitimização. O revoltado cria as condições para o velho mundo se manter. O rebelde cria as condições para um novo mundo surgir.

A culpa é uma parte de você que julga e condena

        A culpa aprisiona. Com os pés e mãos atados é mesmo impossível sair do lugar. Mas não se deixe seduzir pelo sentimento de vitimização. Agindo assim você estará dependendo que o mundo mude para você mudar.

Reflexoes quanticas e outras crenças

        Mas você não perde mesmo essa mania de querer controlar as coisas fora de você, não é mesmo? Você não se dá conta de que nem consegue controlar a sua própria respiração!? Mas vive desperdiçando energia sendo refém do mundo que o rodeia.

Você sabia que o seu cérebro não faz a menor diferença entre o que você imagina e o que você vive de verdade?

        O seu cérebro não pensa nem sente. Pois é, você sabia que essa entidade que você criou, chamada eu, é uma abstração? Pois, esse eu que você pensa que é, é apenas uma das infinitas possibilidades que você escolheu para se manifestar. Você já percebeu que seja lá qual for o seu estado agora, se é de dor, decepção, raiva, alegria, euforia ou incerteza, isso vai passar? Tudo é mesmo transitório. Você tem infinitas possibilidades de manifestar a sua realidade. O impossível é apenas uma possibilidade que não foi acessada ainda.

        Você tem um tempo reservado para você estar só consigo mesmo, todo dia? Uma vez por semana? Aos sábados? Uma vez por mês, ao ano? Você jamais reserva um tempo para estar só consigo mesmo? É … assim você vai dançar. Você vai dançar de acordo com a música que o mundo tocar.

        Quando você diz? “Eu não posso”, a vida diz: ok! Quando você diz “eu posso”, a vida diz: ok! A vida responde ao que você é! “A vida não dá nem empresta. Não se comove, nem se apieda. Tudo que faz é transferir e retribuir aquilo que nós lhe oferecemos“ (Albert Einstein (1879-1955)).

        Você já conversou com as suas células, hoje? Você conhece a si mesmo? É que a vida responde a quem você é e não a quem você pensa que é. E o que você é? Pergunte as suas células.

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa).

        Se você se queixa da sua vida, lembre-se que o ambiente que você vive hoje é um resultado de quem você foi no passado. O ambiente que você vivera no futuro será um resultado de quem você é hoje. Mas como você faz isso? Se você quer realizar algo no futuro, então cuide de viver esse algo agora. A vida responde ao que você é e não ao que você quer!

Referências

LIIMAA, Wallace. Reflexões quânticas para viver melhor. Acesso em 07 de janeiro de 2016. Disponível em 

Esse tal do psicológico existe?

Saia desse corpo que não lhe pertence!

Capitulo 2

Não julgar “é uma postura tipicamente pós-moderna. A crítica é característica da modernidade” (Maffesoli, 2008).

 

        O psicológico existe ou é mais uma das invenções da humanidade? Você já percebeu que o fenômeno psicológico é sempre alguma coisa abstrata? Esse tal do psicológico existe? Você não o vê, não o ouve, não o toca, não o cheira, nem saboreia o psicológico.

        Às vezes é uma manifestação de processos internos em você, outras vezes é um produto das suas vivências externas. Às vezes é um conteúdo do seu mundo interno, outras vezes é processo. Mas sempre visto de forma abstrata e como se fosse natural, quer dizer, como se sempre tivesse sido desse jeito.

        Outra característica é que o fenômeno psicológico é visto como algo da espécie humana. É tido como uma característica universal da espécie humana. Isso quer dizer que todos os humanos, sem exceção, têm esse tal do psicológico.

        Você pode nomear o fenômeno psicológico por um número enorme de palavras e expressões, como por exemplo:

                manifestações do aparelho psíquico, individualidade, subjetividade, mundo interno, manifestações do homem, pensar e sentir o mundo, consciência, inconsciente, vivências, engrenagens de emoções, motivações, comportamentos, habilidades e potencialidades, experiências emocionais, conflitos pulsionais, psique, pensamento, sensações, entendimento de si e do mundo, manifestações da vida mental, tudo que é percebido pelos sentidos (Bock, 1997).

        Ufa, como esse tal do fenômeno psicológico é conhecido por tantos outros nomes! Vou selecionar um deles para pensar um pouco sobre a sua construção. Vou escolher a palavra subjetividade que é como o fenômeno psicológico é mais conhecido nos dias de hoje por aqueles que “juram” que ele existe.

Esse tal de pisologico existe

        O que a palavra subjetividade lhe sugere? Ela lhe parece sugerir imediatamente interioridade? Você confirma? Essa é a percepção mais utilizada atualmente – subjetividade tem a ver com interioridade. Mas porque rapidamente relacionamos subjetividade e interioridade?

        Você sabia que subjetividade e interioridade são enunciados de origens diversas que são posteriormente superpostos pelos discursos psicológicos? Isso mesmo, os discursos psicológicos criaram uma relação de reciprocidade entre subjetividade e interioridade.

        Mas, você sabe, que, ao contrário, a subjetividade, além de ser da ordem dos efeitos, é também da ordem da exterioridade.

                Ou seja, a subjetividade é produzida em relações saber/poder e também de você consigo mesmo, quando você se coloca como objeto para um trabalho sobre si mesmo (Prado Filho e Martins, 2007).

        Então, você percebe que tanto a subjetividade quanto a interioridade são produções (invenções, criações do homem ou descobertas?) históricas. Michel Foucault (1926-1984), um francês muito insatisfeito com que os outros diziam, afirmou que o cristianismo inventou a interioridade e a modernidade inventou a subjetividade.

Esse tal do psicológico existe?

        Então, essa relação entre estas duas figuras do discurso – subjetividade e interioridade – é histórica. A noção de interioridade do cristianismo, há vinte séculos atrás, é anterior a de subjetividade, oriunda da era moderna, que ainda vai completar cinco séculos.

        Você, tão esperto quanto Foucault, percebe que isso indica que o moderno conceito de subjetividade se apoia na ideia cristã de interioridade. Encontrando-se, por isso mesmo, totalmente contaminado por esta concepção, este enunciado (Prado Filho e Martins, 2007).

Esse tal do psicológico existe, mesmo?

        Você, como qualquer outro ser humano, considera que o homem é o único animal nesse planeta capaz de produzir as suas próprias condições de existência. Portanto, compreende que a sua subjetividade surge das suas relações sociais com os outros humanos e com as coisas que produz. Sendo assim, você concluirá que a sua subjetividade tem a ver com o acesso e o controle das condições sociais de vida disponíveis a você (Lacerda Junior, 2010).

        Sob este aspecto, você percebe que cada ser humano é uma forma autentica de conhecer a realidade. Qualquer cientista, filosofo ou religioso, produz sabedoria tão legítima em relação à vida social quanto você também produz.

        Este posicionamento implica que o sentido de verdade e a supremacia do valor da ciência, da filosofia ou da religião, como formas de produção da verdade, é inconsistente. Portanto, a compreensão da vida passa também pela sua forma de apreender a realidade  (Canda, 2010).

        Portanto, você sabe o que responder à pergunta do nosso texto – esse tal do psicológico existe?

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa).

 

        Através das palavras, os humanos criam a realidade. Mas existe uma realidade independente das palavras. Essa realidade que independe das palavras é aquela que nos emociona e nos faz ter sensações. Essa realidade que nos falta as palavras não conseguimos explicar justamente porque nos faltam as palavras. Mas nem tudo é falta de palavras, pois as sensações indizíveis, por um processo biológico que a ainda desconhecemos, acabam virando pensamentos. E pensamentos… ah! Esses são todos palavras.

Leia também:

Saia desse corpo que não lhe pertence! – Capitulo 1

Saia desse corpo que não lhe pertence! – Capitulo 3

Você Sabe Com Quem Está Falando? – Mário Sérgio Cortella – Duração 9:02

 

 

Referências

BARROS, Eduardo Portanova. Maffesoli e a “investigação do sentido” – das identidades às identificações. Ciências Sociais Unisinos, Volume 44 • número 3 • set/dez 2008. Acesso em 11 de maio de 2015. Disponível em em 

BOCK, Ana Mercês Bahia. Formação do psicólogo: um debate a partir do significado do fenômeno psicológico. Psicologia ciência e profissão, 1997,17, (2), 37 – 42. Acesso em 18 de outubro de 2014.  Disponível em

CANDA, Cilene Nascimento. Lá vai a vida a rodar: reflexões sobre práticas cotidianas em Michel Maffesoli. Revista Rascunhos Culturais •Coxim/MS • v.1 • n.2 • p. 63 – 77 •jul /dez, 2010. Acesso em 12 de maio de 2015. Disponível em

LACERDA JUNIOR, Fernando. Psicologia para fazer a crítica? Apologética, individualismo e marxismo em alguns projetos PSI. PUC-Campinas, 2010. Acesso em 28 de março de 2013. Disponível em

PRADO FILHO, Kleber; MARTINS, Simone. A subjetividade como objeto da (s) Psicologia (s). Psicologia & Sociedade; 19 (3): 14-19, 2007. Acesso em 07 de setembro de 2013. Disponível em