Você tem consciência da sua respiração ou nunca pensou nisso?

        Você toma cuidado com a sua dieta? Você come por dever ou come por prazer? Você faz exercícios regularmente ou não tem tempo ou não lhes dá importância? Você bebe bastante agua ou agua nem para tomar remédio?  Você tenta ser alegre e rir ou está sempre reclamando de tudo? Você tem consciência da sua respiração ou nunca pensou nisso?

        Para você responder estas e outras perguntas sobre você, é preciso que você tenha consciência de você mesmo. A consciência é o passo inicial para alterar qualquer estado de coisas.

O toque

         Você já se tocou hoje? Você nunca se toca? O toque é uma forma de conhecimento. O toque é uma das principais necessidades dos animais.

        O toque tem sido usado como terapia desde as civilizações mais antigas. É sabido que macacos jovens privados de convívio próximo sentem dificuldade em se relacionar. Os bebes humanos na ausência do toque produzem irritabilidade e depressão.

Muito além do toque

         A massagem é um método de tocar, pressionar, friccionar e amassar diversas regiões do corpo. A massagem pode aliviar a dor, relaxar, estimular e tonificar músculos, tendões, ligamentos e articulações.

         A massagem mobiliza a musculatura e a articulação. A massagem realiza um trabalho de alongamento, respiração e meditação.

Alongamento

         O alongamento atua como correção da postura e alivio de dores musculares. Mantem os músculos maleáveis – o que facilita a mobilidade e reduz os riscos de lesão muscular e articular.

Respiração

         A respiração é uma função vital e involuntária, mas que pode ser controlada pelo indivíduo. Faça um teste agora. Expire todo o ar. Pausa. Inspire contando lentamente um, dois, lentamente, três, quatro. Pausa. Conte um, dois. Expire lentamente contando um, dois, lentamente, três, quatro. Viu, você controlou a sua respiração!

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         Você pode facilmente perceber a relação entre a sua respiração e os seus estados emocionais. Os estados emocionais produzem um efeito direto e imediato na forma como inspiramos e expiramos. Preste atenção em como a sua respiração muda em momentos de estresse, relaxamento ou alegria.

        Quando você inspira e expira, conscientemente e profundamente, como fizemos a pouco, você causa o relaxamento dos músculos e a diminuição da frequência cardíaca. “Além disso, o ar fica um tempo maior em contato com os alvéolos do pulmão, melhorando a troca gasosa e permitindo que mais oxigênio atinja a circulação, alimentando células e órgãos vitais”.

        Isso promove a atenção e o relaxamento. E auxilia na diminuição da quantidade de pensamentos e na melhoria do raciocínio.

        A respiração consciente potencializa os efeitos da meditação, auxiliando as pessoas a experimentarem estágios mentais diversificados, e ainda ajuda a diminuir a ansiedade, a depressão e o estresse.

Meditação

        O primeiro passo para a consciência é você se tornar atento ao seu corpo. Como você faz isso? Se você está sentado agora. Observe como você toca a cadeira. Quais as partes do seu corpo tocam a cadeira e como elas a tocam.

        Agora, torne-se consciente dos seus pensamentos. Como você faz isso? Perceba o que é que você está pensando. Quais são as qualidades desses seus pensamentos? Cuidado com os seus pensamentos! Os nossos pensamentos se utilizam de uma lógica toda nossa para nos enganar.

        Porém, o próprio fato, de você observar como a sua mente funciona, a transforma. Agora, no terceiro passo, você se torna consciente dos seus sentimentos, das suas emoções, dos seus humores. Como você faz isso?

        Acompanhe o ritmo da sua respiração. Não é necessário nomear o que você está sentindo. Existe consciência anterior as palavras. Até que … você se torna uma pessoa acordada, consciente da sua própria consciência.

Referências

MARTILNELLI, Alda. Yoga massagem ayurvédica: a transformação pelo toque: método Kusum Modak. São Paulo: Editora Olhares, 2011.

Alguma maneira sua de se mover ou de se comportar

         Você já pensou que pode existir uma associação entre o seu jeito de ser ou de estar com alguma maneira sua de se mover ou de se comportar? Você consegue imaginar os seus comportamentos associados a uma disposição particular das suas articulações e das suas flexibilidades musculares?

         Você gostaria de vivenciar toda a variedade de movimentos de que sendo humano você é capaz? Você está cansado de ficar repetindo um repertorio limitado de formas corporais? Você não suporta mais tanto sofrimento concreto do corpo e de tanta restrição de movimentos?

Então, preste atenção

1º) na sua postura, nos seus gestos e nas formas do seu corpo;

         A sua forma de ser e de estar constitui uma intenção da sua maneira de se expressar no mundo.

2º) no seu corpo, fazendo exercícios de conscientização;

         Fazer um trabalho de conscientização da sua estrutura articular lhe ajudara a viver como um organismo solidamente estruturado. Essa consciência lhe ajudara a modificar as imagens prejudiciais que você tem do seu próprio corpo e do seu funcionamento.

3º) no seu cuidado de si, na sua modelagem, no seu ajustamento articular e regularização das suas tensões musculares.

         O funcionamento harmonioso do seu corpo é uma questão de construção, estruturação lenta, não ocorre ao deus dará.

         “Desfazer é um passo, mas é preciso consolidar para obter resultados”.


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Proponha-se a possiblidade de cuidar de si mesmo

         Pelas vias do corpo, cada um pode aprender a gerir, aprender a desenvolver uma estratégia de cuidados de si.

. Em primeiro lugar:

         O seu corpo é um lugar unificado e solidário da cabeça as mãos e aos pés. Uma dor, por exemplo, pode estar localizada, mas ela não existe isolada do corpo. A dor é uma função solidaria dos seus hormônios e anticorpos, órgãos e vísceras, músculos e ossos.

. Em segundo lugar:

         Essa solidariedade não se limita ao sistema locomotor ou muscular, mas abrange a unidade da estrutura humana e aquilo que a anima. Essa unidade forma conjuntos neuromusculares que se fazem e se desfazem conforme a sua expressão corporal ou postural ou gestual.

. Em terceiro lugar:

         Alguns processos de que você tem se utilizado para viver podem, de certa maneira, estar aprisionando a sua expressão. Esse aprisionamento aponta para expressões corporais que se fixaram.

        Aponta para as suas contradições, tensões decorrentes das suas escolhas de um comportamento. Esse aprisionamento é o mensageiro que revela os seus traumatismos, os seus excessos, as suas disfunções, os seus desconfortos, lentamente gravados em seus tecidos por longo tempo.

         Compreender os processos como formamos nosso corpo, nos aponta para uma gestão mais eficiente dos nossos modos de funcionamento, para um modo de usar nossas articulações com alguma gerencia sobre elas.

. Em quarto lugar:

         As suas expressões são as formas de comunicação e de trocas no interior do seu próprio corpo e no corpo do mundo exterior.

         Atualmente, nós ampliamos, facilitamos e até mesmo favorecemos as trocas por meio de maquinas e instrumentos. Os nossos corpos são delineados, preenchidos e esculpidos por próteses, escarificações, piercings, tatuagens e outras modificações corporais. Os nossos corpos não mais se comunicam com o corpo, de pessoa para pessoa.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        Como a Psicologia pode ajudar, para você ter uma gestão satisfatória sobre o seu corpo? A Psicologia busca compreender como nos comportamos. O que nos acontece para que escolhamos nos comportar dessa e não daquela outra maneira? Compreender como nos comportamos é o primeiro passo para uma gestão consciente das nossas praticas. E qual é o papel da psicoterapia nesse processo? A psicoterapia é a técnica utilizada pelo psicólogo para facilitar a sua compreensão dos processos que ocorrem em você.

 

Referencias

DENYS-STRUYF, Godelieve. Cadeias musculares e articulares: o método G.D.S. São Paulo: Summus, 1995.

Modernidade ou pós-modernidade ou hipermodernidade?

        Você já ouviu falar de modernidade ou pós-modernidade ou hipermodernidade? Você sabe que diferença faz, para a sua vida, saber ou não sobre isso? Pois bem, no final do século 20, a partir dos anos 1980, as pessoas ainda se preocupavam em ser modernas. Você se considera uma pessoa moderna? Você sabe o que é ser moderno?

        O moderno tem como principal característica valorizar o agora, o momento presente. Para uma pessoa moderna, o próprio moderno já é antigo. Ser moderno, então, poderia ser qualquer outra coisa que você ainda não tinha sido antes. Apenas para deixar de ser aquilo que é para ser outra coisa.

        O moderno surge como um movimento de ruptura. O moderno é um movimento que serve para desvalorizar o que passou, o antigo. E destacar a efemeridade do presente. Mas também para fazer do futuro o lugar da felicidade da existência.

        Ora, mas o que há de moderno acreditar que é numa vida futura que está a felicidade? Rola de boca em boca, desde a muito tempo atrás, lá pelas terras do atual oriente médio, que um cara de cabelos compridos e barbas longas (está na moda, de novo) já havia dito isso no início desses últimos dois mil anos!

        Bem, mas havia a primazia da razão que se seguiu nos anos que se passaram. A razão reinava sobre a vida e criaria um novo mundo de paz, de equidade e de justiça. É, mas como tudo que é moderno, dura pouco …. e passa.

        Esse otimismo, foi característico do século 19, legitimado pelo advento da ciência e da filosofia das Luzes – movimento conhecido pelo nome de Iluminismo. Tanto o Cientismo e o Iluminismo da época não existem mais. Isto é moderno!

         Culpa das guerras do século 20? Onde estava a razão que reinaria sobre as tragédias humanas? A razão havia se tornado instrumento de dominação e escrava da burocracia. Mas, como tudo que é moderno, a dominação e a burocracia também passaram. E a modernidade passou.

Da modernidade a pós modernidade

        “Más línguas” dizem que a modernidade não conseguiu concretizar os ideais das Luzes que objetivava alcançar. Mas deu lugar a uma dinâmica de subjugação burocrática e disciplinar da convivência.

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        “Foucault foi sem dúvida o pensador que mais insistiu neste aspecto corrompido da modernidade que é a disciplina, cuja finalidade consiste mais em controlar os homens que em liberta-los”.

        Mas nem tudo são desgraças ou beneficências. A modernidade possibilitou a desqualificação do passado e a valorização do novo. A modernidade afirmou a primazia do individual sobre o coletivo – valorizando o gosto subjetivo e entronizando o efêmero.

Da pós-modernidade a hipermodernidade

        Bem, mas que diferença isso faz para nós, animais ainda mortais, necessitados, diariamente, de pão com manteiga ou arroz com feijão para sobreviver? Dizem as tais “línguas malignas” que o reinado do descartável seria uma característica da pós-modernidade.

        Portanto, caso você não tenha percebido, mas a modernidade já acabou. Se você foi moderno ou não … já foi. E vivemos a pós-modernidade. Leia esse “vivemos”, não como presente do indicativo, mas como pretérito perfeito, isto é, a pós modernidade também já foi.

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Hipermodernidade

        Uma sociedade caracterizada pela libertinagem – vale tudo! Pelo movimento – a gente corre atrás! Pela fluidez – a fila anda! Pela flexibilidade – ideologia, eu quero uma para viver! Indiferença pelas instituições – governo? Igreja? Escola? Família?

        Uma época de crianças maduras, responsáveis, organizadas, eficientes e tolerantes. As nossas crianças pós-modernas – donas dos seus narizes (cada uma do seu?), egocêntricas e contestadoras – dão lugar as crianças responsivas (malcriadas, respondonas?) e resilientes (elásticas?) e assertivas (realistas, dogmáticas?) dos tempos hipermodernos.

        Outra característica da hipermodernidade seria a passagem do capitalismo de produção da pós-modernidade para uma economia de consumo e de comunicação de massa.

A sociedade hipermoderna

        Você está cansado das cobranças e exigências de resultados a curto prazo? Você está cansado de ter que fazer mais no menor tempo possível? Você sempre tem de agir sem demora? Tudo é feito às pressas? Isto cansa a beça! Isto é ser hipermoderno!

        Você percebe que a corrida da competição faz priorizar o urgente à custa do importante? A meta é a ação imediata à custa da reflexão – primeiro você atira depois pergunta? Você percebe que o acessório é preferido à custa do essencial? Isto é hipermodernidade!

Desempenho hipermoderno

        Ainda dando ouvido as “mas línguas”, escutamos que a pressa tem substituído o vínculo humano pela rapidez – fui! Você tem confundido qualidade de vida com eficiência – milhões de “amigos” no Facebook! Você acredita que as normas e as cobranças obstruem o desempenho. Não se admire de você estar assim – tão cansado!

        Para “celebrar o sempre novo e os gozos do aqui-agora, a civilização consumista opera continuamente para enfraquecer a memória coletiva, acelerando o declínio da continuidade e da repetição ancestral”.

        Você sente que foi deixado a sua própria sorte? Você se sente desinserido da sociedade? Bem-vindo a hipermodernidade!

Hipermodernidade – Duração 3:46

Referencias

LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Editora Barcarolla, 2004.

O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar

 

“Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa. Pasmo e desolo-me. O meu instinto de perfeição deveria inibir-me de acabar; deveria inibir-me até de dar começo. Mas distraio-me e faço.

O que consigo é um produto, em mim, não de uma aplicação de vontade, mas de uma cedência dela. Começo porque não tenho força para pensar; acabo porque não tenho alma para suspender. Este livro é a minha cobardia” (Pessoa, 1999).

 

        ““Fernando Pessoa não existe, propriamente falando.” Quem nos disse foi Álvaro de Campos, um dos personagens inventados por Pessoa para lhe poupar o esforço e o incomodo de viver.

             Dúvida e hesitação são os dois absurdos pilares mestres do mundo segundo Pessoa e do Livro do Desassossego, que é seu microcosmo.

        Explicando o seu próprio mal e o do livro numa carta a Armando Cortes-Rodrigues datada de 19 de novembro de 1914, o jovem Pessoa diz: “O meu estado de espirito obriga-me agora a trabalhar bastante, sem querer, no Livro do Desassossego.

Mas tudo fragmentos, fragmentos, fragmentos”. E numa carta escrita um mês antes ao mesmo amigo, fala “de uma depressão profunda e calma”, que só lhe permitia escrever “pequenas coisas” e “quebrados e desconexos pedaços do Livro do Desassossego”.

 

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        A ficção de Soares (a quase-realidade de Pessoa), mais do que uma mera justificação ou explicação deste desconexo Livro, é proposta como modelo de vida para todas as pessoas que não se adaptam a vida real normal e cotidiana, e não só.

Pessoa sustentava que para viver bem era preciso manter sempre vivo o sonho, sem nunca o realizar, dado que a realização seria sempre inferior ao sonhado. E deu-nos Bernardo Soares para mostrar como se faz.

       

Como se faz então? Não fazendo. Sonhando.

        Cumprindo os nossos deveres cotidianos, mas vivendo, simultaneamente, na imaginação. Viajando imenso, na imaginação. Conquistando como Cesar, na imaginação. Gozando sexualmente, na imaginação. Sentindo tudo de todas as maneiras, não na carne, que sempre cansa, mas na imaginação.

        Viver sonhando, sonhar imaginando, imaginar sentindo – era este o credo que ressoava em quase todos os cantos do universo de Fernando Pessoa, mas Soares era o exemplo mais prático disto” (Zenith, 1997).

 

“A sonhar eu venci mundos,

Minha vida um sonho foi.

Cerra teus olhos profundos

Para a verdade que dói.

A Ilusão é mãe da vida:

Fui doido e tudo por Deus.

Só a loucura incompreendida

Vai avante para os céus” (Pessoa, 1974).

 

Referencias

PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1974.

PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

ZENITH, Richard. Introdução. In PESSOA, Fernando. Livro do desassossego: composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

A grande morte é semelhante a pequena morte em termos de sentimentos

        Você tem medo de morrer? E viver, do que se trata? Nós estamos sempre perdendo e descobrindo coisas, sempre rompendo com o velho e estabelecendo o novo. A isto chamamos de uma pequena morte. Perder e ganhar. A última, a grande morte é semelhante a pequena morte em termos de sentimentos.

Você sabe definir o que é estar vivo? E morrer, você tem medo?

        O que pode ser estar vivo? Difícil responder, né? São tantas as possibilidades … E morrer? Ah, morrer é mais fácil, não é? Morrer é mais fácil do que viver? Morrer poderia ser aprender como abrir mão daquilo que encorpamos. Morrer poderia ser abrir mão da forma, é estar num corpo e estar sem corpo, é ter limites e não os ter.

Você sabe qual é o seu estilo de morrer?

        Parece haver dois ciclos no processo de viver – expansivo e contido. Seria o mesmo que respirar. Encher e esvaziar. Você dissemina sua experiência no mundo na fase expansiva. Você junta suas experiências em si mesmo na fase contida.

        Atualmente, nós tratamos os nossos corpos como uma ferramenta, um escravo, um instrumento. Forçamos o corpo a viver a vida que a nossa mente quer viver e morrer pelos ideais da nossa mente. E a sua mente vive a vida da sociedade, então você morre dentro do estilo de morrer da sociedade.

       Quando você experiencia a você mesmo enquanto você mesmo, você experiencia o corpo e a mente como uma coisa só. Você experiencia uma coisa diferente do estilo de vida que a sociedade diz para você viver. Qual é o seu estilo?

Morrer é encarar o desconhecido

        Será por isso que o sentimento de morrer provoca medo? Você percebe que o sentimento de morrer evoca o desamparo? O inesperado? O desafio do conhecido? Quando você morre, estabelece novas direções, você ganha novos poderes e perde outros. Você sabe que morrer é abrir mão de padrões de ação, é abrir mão de padrões de pensamento.

        Morrer é ficar inseguro. Morrer é ficar excitado. Morrer é saber que algo está emergindo. Morrer é não saber para onde se está indo. Morrer é um lugar de transição. Morrer é encarar o desconhecido.

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Morrer é sair de si

        Sair de si, mas sem medo, pois após a morte o medo acaba. E você gostaria mesmo é deixar acontecer. Sem se perder, sem controlar. E deixar acontecer é o desejo de experienciar incondicionalmente. Quando você deixa acontecer significa que você cedeu ao corpo, é como ceder ao sono.

        Mas deixar acontecer mobiliza o sentimento de desamparo. Ficamos sem o controle, sem saber o que fazer. Esse desamparo evoca dor. A dor da perda. E a dor da perda intensifica o desamparo. Intensifica o descontrole. Benvindo, a isso o que é viver.

E o seu medo de ficar só?

        Esse é um dos receios mais consistentes que as pessoas têm. Você tem tanto medo de ficar só que é capaz de ficar num relacionamento destrutivo ou desagradável ou inconveniente ou improprio e outros desastres, apenas para não se sentir desamparado. Estou dizendo que muita gente prefere uma relação de desventuras a ficar só.

        Então, você oscila entre os sentimentos de medo e de raiva. Ora sente medo, ora sente raiva. Medo e raiva são as reações básicas de defesa na vida. O medo é uma resposta de preservação, a raiva é uma resposta de expansão. Medo e raiva – recuo e ataque. Recolhe e expande. Inspira e expira.

 

O desamparo ainda é a dor básica da vida

        Na atualidade, ensinamos as nossas criancinhas que os seus desejos são direitos. Mesmo assim elas ainda se enrijecem e se contraem como os seus pais. E localizam o que está acontecendo com elas como uma derrota na vida. Afinal de contas, hoje, apenas encontramos gente vencedora no mundo – essa gente que não vai morrer nunca. Essa gente que não morrera nunca, por medo de ficar só.

Referências

KELEMAN, Stanley. Viver o seu morrer. São Paulo: Summus, 1997.

O objeto em que se inscreve o poder

        “O objeto em que se inscreve o poder, desde toda a eternidade humana, é a linguagem” (Roland Barthes).

 

Teses de abril

        “[…] a nossa tarefa não pode ser outra que explicar pacientemente, sistematicamente, persistentemente às massas, partindo essencialmente das suas necessidades praticas.

        […] há que suprimir a polícia, o exército e o corpo de funcionários.

        […] a tomada de decisões deve recair nos sovietes de deputados de trabalhadores agrícolas. Todas as terras dos latifúndios serão confiscadas.

         […] fusão imediata de todos os bancos do pais num único banco nacional, colocado sob o controle dos sovietes de deputados operários.

        A nossa tarefa imediata não é “introduzir” o socialismo, mas unicamente passar a controlar de imediato a produção e assegurar a repartição dos produtos pelos sovietes de deputados operários” (Lênin, 1917). *

* Esse texto de Vladimir Ilyich Lênin é uma versão abreviada publicada no nº 26 do Jornal Pravda, em 7 de abril de 1917.

 

O objeto em que se inscreve o poder

A paz mundial

    “[…] entre as nações, não haverá mais acordos particulares e secretos de nenhum tipo.

        […] os armamentos de cada pais sejam reduzidos ao mínimo compatível com a segurança interna” (Wilson, 1918). *

* Esse texto é uma versão abreviada do discurso proferido por Thomas Woodrow Wilson perante o Congresso dos Estados Unidos, em 8 de janeiro de 1918.

 

Criei esta atmosfera histórica, política e moral através de propaganda

       “[…] quando dois elementos estão em luta e quando se mostram irredutíveis, a solução reside no emprego da força. Não houve outras soluções na história e nunca haverá outras.

        […] A Itália, meus senhores, quer a paz, a tranquilidade, a calma laboriosa, nos dar-lhe-emos tudo isso, voluntariamente se for possível, e pela força se for necessário” (Mussolini, 1925). *

* Esse texto é uma versão abreviada do discurso proferido por Benito Mussolini perante a Câmara dos Deputados Italiana em 3 de janeiro de 1925.

Referências

LÊNIN, Vladimir Ilyich; WILSON, Thomas Woodrow; MUSSOLINI, Benito; In VARIOS AUTORES. Discursos que mudaram o mundo. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2010.