Esta incerteza que quer qualquer impossível calma!

Fernando Pessoa “ele mesmo”
 
Qualquer musica

Qualquer música, ah, qualquer,

Logo que me tire da alma

Esta incerteza que quer

Qualquer impossível calma!

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Gato que brincas na rua

Como se fosse na cama,

Invejo a sorte que é tua

Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais

Que regem pedras e gentes,

Que tens instintos gerais

E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,

Todo o nada que és é teu.

Eu vejo-me e estou sem mim,

Conheço-me e não sou eu.

Auto psicografia

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama o coração.

Isto

Dizem que finjo ou minto

Tudo que escrevo. Não.

Eu simplesmente sinto

Com a imaginação

Não uso o coração.

esta-incerteza-que-quer-qualquer-impossivel-calma

Por isso escrevo em meio

Do que não está ao pé.

Livre do meu enleio,

Sério do que não é,

Sentir? Sinta quem lê!

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Dorme, que a vida é nada!

Dorme, que tudo é vão!

Se alguém achou a estrada,

Achou-a em confusão,

Com a alma enganada.

Liberdade

Ai que prazer

Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler

E não o fazer!

Ler é maçada,

Estudar é nada.

O sol doira

Sem literatura.

O rio corre, bem, ou mal,

Sem edição original.

E a brisa, essa,

De tão naturalmente matinal,

Como tem tempo não tem pressa…

Livros são papeis pintados com tinta.

Estudar é uma coisa em que está indistinta

A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,

Esperar por dom Sebastião,

Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…

Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca

Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto

É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca….

 

PESSOA, Fernando. O guardador de rebanhos e outros poemas. São Paulo: Cultrix, 1997.

O mito é uma narrativa da criação das coisas que existem

        O mito conta a história de uma realidade que passou a existir. O mito é uma narrativa da criação das coisas que existem. O mito nos conta a história de como algo, que não era, começou a existir. Uma pedra, um animal, um comportamento, a gravidade, as relações entre os elementos, etc.      

        Não sabemos como essa forma de significar o mundo surgiu. Mas chegou até nos através de várias gerações e relata uma explicação de como o mundo é o que é. O mito é, então, uma explicação do mundo através da palavra.

 

O mito expressa o mundo, a realidade, através da participação coletiva.

Atualmente, o senso comum entende o mito como a expressão de uma fantasia. O senso comum entende que o mito é uma mentira. Para o senso comum, dizer que uma coisa é mito, é desvalorizar a existência dessa coisa.

Apesar do senso comum, também se compreende que o mito expressaria, seja qual for a época e o lugar, o que foi herdado daquilo que existiu anteriormente. O mito expressaria então a história da herança genética das coisas que ora existem.

Uma forma mais sofisticada do senso comum, compreende o mito como um símbolo. Compreensão racionalista para algo que foge ao alcance da razão. Do mesmo jeitinho como a razão cria a loucura. (A razão é transformada pelos racionalistas em referência de valor de todas as coisas.) Os racionalistas inventam a loucura como sendo a ausência da razão – onde não há razão, há loucura.

E os racionalistas fazem o mesmo com o mito, quando entendem o mito como símbolo. A razão transforma o mito numa fantasia. E o que vem a ser uma fantasia? Com certeza, os racionalistas explicam que a fantasia não possui uma das principais características da razão – a lógica. Mas, que logica seria esta? Ora, a lógica da razão. Ou melhor, a lógica de quem possui a razão.

A razão, impotente para acessar o mito, tentou explicar o mito através de um conceito de equivalência, o símbolo. Assim, o mito representaria mais do que o seu significado evidente e imediato.

 

O mito não é mais aquilo que é, mas aquilo que quer dizer alguma coisa além daquilo que diz.

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O mito, portanto, não mais traduz a origem de algo que não existia – uma arvore, um habito, um gesto, uma relação. O mito não mais se refere a imagem dos princípios das coisas inexistentes. A razão transforma o mito numa grande farsa – uma mentira. Aquilo, cuja existência o mito explica, não mais existe, virou “mito”. Aqui, acontece uma inversão – o mito não mais existe.

Aqui, a razão toma posse de uma das suas principais armaduras – a verdade. Tudo que não passa pela lógica da razão não é verdadeiro – não tem valor. O valor está na razão. Somente a razão pode dizer o que é valido.

Eis aqui, o fundamento de toda a religião.

A religião pode ser definida como o conjunto de atitudes e atos pelos quais o homem se liga ao divino ou aos seres invisíveis tidos como sobrenaturais. E quem faz essa ligação? A razão, é claro! Mas como acreditar numa tal tolice? Uma de milhares de outras hipóteses possíveis: ora, basta propagar a tolice repetidamente – publique. Assim, como faço nesse blog. Publicar é tornar público.

Sabemos que a repetição autonomiza um comportamento – o habito. E aprendemos que um comportamento tende a se repetir se for reforçado. Então, criamos o ritual – uma forma de suscitar e reafirmar o mito.

O ritual é a pratica do mito. Todas as religiões têm os seus rituais. Até mesmo aquelas que dizem que não os tem. Nenhuma razão sobrevive a ausência de repetição e de reforço.

“O mito rememora, o rito comemora”.

“Rememorando os mitos, reatualizando-os, renovando-os por meio de certos rituais, o homem torna-se apto a repetir o que os deuses e os heróis fazem “nas origens”, porque conhecer os mitos é aprender o segredo da origem das coisas.

Assim a realidade se adquire exclusivamente pela repetiçao ou participação; tudo que não possui um modelo exemplar é vazio de sentido, isto é, carece de realidade”.

Mito, rito e religião

Assim, o sobrenatural (o divino, os seres sobrenaturais) aflora através do natural (o mundo físico). Na medida que o sobrenatural ascende sobre o natural, criamos o sagrado e o profano. Mais uma característica da razão – dividir para governar.

Agora, a razão fiel e submissa a religião não mais cria o caráter sagrado, mas, sim, é o caráter sagrado, preexistente, que cria a razão. Assim, a compreensão da origem das coisas é feita pela revelação.

Deste ponto de vista, nenhuma pedra, nenhuma arvore, nenhum animal, nem o homem, nem um pensamento, nem uma situação e nenhum relacionamento são sagrados. Tudo é profano. O que é sagrado é aquilo que eles revelam.

“O mito desempenha uma função indispensável. O mito exprime, exalta e codifica a crença. O mito salvaguarda e impõe os princípios morais. O mito garante a eficácia do ritual. O mito oferece regras praticas para a orientação do homem”.

 

Mito da Caverna – por Maurício de Souza – Duração 2:54

Referencias

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia grega: Volume I. Petrópolis: Editora Vozes, 1987.

 

Quem eu sou faz uma diferença

        Não é possível libertar um povo, sem antes, livrar-se da escravidão de si mesmo. A única revolução possível é dentro de nós. Sem esta, qualquer outra será insignificante, efêmera e ilusória, quando não um retrocesso. Quem eu sou faz uma diferença.

        Cada pessoa tem sua caminhada própria. Faça o melhor que puder. Seja o melhor que puder. O resultado virá na mesma proporção de seu esforço. Compreenda que, se não veio, cumpre a você (a mim e a todos) modificar suas (nossas) técnicas, visões, verdades, etc.

 

Pensamentos de Mahatma Gandhi

        O desejo sincero e profundo do coração é sempre realizado; em minha própria vida tenho sempre verificado a certeza disto.

        Acho que vai certo método através das minhas incoerências. Creio que há uma coerência que passa por todas as minhas incoerências assim como há na natureza uma unidade que permeia as aparentes diversidades.

 

        As enfermidades são os resultados não só dos nossos atos como também dos nossos pensamentos.

 

        É o sofrimento, e só o sofrimento, que abre no homem a compreensão interior.

quem-eu-sou-faz-a-diferenca

        Não pode haver nenhuma paz interior sem verdadeiro conhecimento.

        Quem venceu o medo da morte venceu todos os outros medos.

 

        Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros.

        Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao cabo, a capacidade de fazer qualquer coisa.

        Nas questões de consciência a lei da maioria não conta.

        Acredito na essencial unidade do homem, e, portanto, na unidade de tudo o que vive. Por conseguinte, se um homem progredir espiritualmente, o mundo inteiro progride com ele, e se um homem cai, o mundo inteiro cai em igual medida.

 

Quem sou faz uma diferença – Duração 5:41


 

Referencias

GANDHI, Mahatma. A única revolução possível é dentro de nós. Edição Projeto Periferia, 2004. Acesso em 08 de novembro de 2016. Disponível em

O conceito de moda em que diferentes estilos se sucedem

Saia desse corpo que não lhe pertence!

 Capitulo 4

        “Na Idade Média o corpo serviu, mais uma vez, como instrumento de consolidação das relações sociais” (Barbosa, Matos e Costa, 2009). “O conceito de moda, em que diferentes estilos se sucedem, iniciou-se no final da Idade Média, com o surgimento de vestimentas especificas para cada sexo” (Pires, 2005).

        “As modificações na estrutura do vestuário masculino e feminino que se impõem a partir de 1350 são um sintoma direto dessa estética preciosista da sedução. O traje marca, desde então, uma diferença radical entre masculino e feminino, sensualiza como nunca a aparência.

        O caráter de sedução coloca a moda em oposição a religião. Moda é prazer. O indivíduo se modifica conforme seu desejo, se torna único, se sente parte de uma cultura.

        Beleza e características pessoais voltam a ser admiradas e aceitas, e o indivíduo se apodera novamente do seu corpo” (Pires, 2005).

        “É também na Idade Média que aparece a nova figura literária do cavaleiro andante, do amor cortês, refletindo, deste modo, uma visão muito diferente do corpo e das suas relações” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

        “O homem passou a cultuar a si próprio. As leis sobre o funcionamento da sociedade agora eram ditadas pela razão, e questões como os sentimentos, as emoções, a sexualidade, que durante a Idade Média eram tidos como ações pecaminosas, foram incorporados pela nova sociedade” (Cassimiro e Galdino, 2012).

No decorrer do século 16

        “A moda foi adquirindo características rígidas e desconfortáveis, que obrigavam os indivíduos a manterem uma postura altiva e hierárquica”.

        O rufo, “uma espécie de babado que envolve o pescoço do indivíduo inibindo seus movimentos. O indivíduo que o usava não precisava movimentar-se nem realizar nenhuma tarefa que necessitasse de esforço físico.

 

o-conceito-de-moda-em-que-diferentes-estilos-se-sucedem-iniciou-se-no-final-da-idade-media        O codpiece era um tapa-sexo que tinha como finalidade evidenciar o sexo masculino. O corpete, que é a parte frontal das blusas, mantido pelo uso de barbatanas frequentemente feitas de madeiras. Sua função era manter a postura ereta.

        Introduzido na moda do século 18, o sapato de salto alto, utilizado a princípio por indivíduos de ambos os sexos, restringe os movimentos, dificulta o deslocamento, se tornou, devido as atribuições sociais um objeto, exclusivo do vestiário feminino. A pinta aplicada inicialmente no rosto durou mais de meio século surgiu em 1655.

        Perucas masculinas – que já haviam sido usadas no século 14 e reaparecem no século 18 em diversos modelos, escolhidos conforme a atividade que o indivíduo desempenha. De forma a alongar a silhueta e restringir os movimentos.

        A ciência medica influencia os costumes e a moda, fazendo voltar o habito dos banhos, abandonado na Idade Média, e determinando uma mudança no vestuário, com a utilização de tecidos mais leves e a diminuição do volume das roupas” (Pires, 2005).

        “Levando em consideração que a sociedade moderna foi caracterizada e controlada pela Razão, o corpo como elemento social, também não fugiu desse controle. O fato de ele ser considerado pelas Ciências Biológicas no final do século XVII, como uma máquina cheia de engrenagens reflete a visão mecanicista, baseada na visão cartesiana.

        O fazer, o agir e o ato de se movimentar, eram ações primeiramente pensadas, esquematizadas e depois realizadas” (Cassimiro e Galdino, 2012).

Referências

 

BARBOSA, M. R.; MATOS, P. M.; COSTA, M. E. Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade; 23 (1): 24-34, 2011. Outubro de 2009. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

CASSIMIRO, Érica Silva; GALDINO, Francisco Flávio Sales. As concepções de corpo construídas ao longo da história ocidental: da Grécia antiga à contemporaneidade. Revista Eletrônica Print by. Μετάνοια, São João del-Rei/MG, n.14, 2012. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

PIRES, Beatriz Ferreira. O corpo como suporte da arte: piercing, implante, escarificação, tatuagem. São Paulo: Editora SENAC,2005.

Por meio da expressão das emoções

Soltar e desbloquear

         Houve uma geração que foi educada para “engolir” o choro. Reprima-se, era a palavra da ordem. A partir da geração “Menudo”, não se reprima era cantado, dançado e gritado em coro. Em ambas as gerações e nas intermediarias, tentava-se adquirir um controle de si por meio da expressão das emoções. Na imensa maioria das vezes, porém, isso acontecia e ainda acontece às custas do caos muscular.

 

Relaxamento e alongamento

         Tanto a repressão quanto a não-repressão usadas em excesso, levam a falta de limites. Uma sugere “engolirmos” nos mesmos enquanto a outra nos incentiva ao “derrame” das emoções. Paralisia ou relaxamento das emoções – expressões de uma mesma desordem. O conceito de organização motora pede distribuição de tônus, e não relaxamento.

         Nem repressão nem não-repressão em excesso. Nem autocontrole nem “deixa a vida me levar”. A autonomia tem um custo. O preço da liberdade é a eterna vigilância. Tanto a autonomia quanto a liberdade precisam de uma preparação, de uma “ação consciente”. A reorganização motora não acontece sem darmos alguma informação aos músculos.

         Tanto a repressão quanto a não-repressão bloqueiam regiões do corpo, encurtando ou estendendo a musculatura. Os músculos precisam de comprimento adequado e tensão apropriada para redimensionar esses bloqueios na globalidade do corpo.

 

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Consciência do aparelho locomotor

         Como se consegue a consciência da ação? Fazendo exercícios. Quando você conhece como faz determinado gesto, você pode fazê-lo de outra maneira. É através do exercício que nós conseguimos nos conscientizar de cada etapa do desenvolvimento de um movimento.

 

Gesto e consciência

         Os gestos e movimentos de que hoje utilizamos são o resultado de decisões conscientes ou não tomadas ao longo da existência. Os seus gestos e movimentos são construções tanto da experiência coletiva quanto das diversas etapas de sua experiência individual. As transformações ocorridas no processo de formação de sua identidade estão expressas nos seus gestos e movimentos atuais.

         Podemos dizer que o gesto é uma expressão de nossos estados mentais, conscientes ou inconscientes. O gesto promove modificações em nossas articulações e em nossas estruturas musculares. A nossa sensibilidade se modela com a sua expressão.

 

Referencias

BERTAZZO, Ivaldo. Cidadão corpo: identidade e autonomia do movimento. São Paulo: Summus, 1998.

Criaturas que não esperam nada

A sua voz era baça e tremula, como as das criaturas que não esperam nada, porque é perfeitamente inútil esperar (Fernando Pessoa, correspondente estrangeiro, apresenta Bernardo Soares-Vicente Guedes, empregado de comercio).

 

Uma consciência de si, e uma visão da vida e do homem

 

        Para que um homem seja distintivamente e absolutamente moral, tem que ser um pouco estupido. Para que um homem possa ser absolutamente intelectual, tem que ser um pouco imoral.

        Pertenço a uma geração que herdou a descrença na fé cristã (no fato cristão) e que criou em si uma descrença em todas as outras fés. Os nossos pais tinham ainda o impulso credor, que transferiam do cristianismo para outras formas da ilusão.

        Uns eram entusiastas só da beleza, outros tinha a fé na ciência e nos seus proveitos, e havia outros que, mais cristãos ainda, iam buscar a orientes e ocidentes outras formas religiosas com que entretivessem a consciência, sem elas oca, de meramente viver.

 

        Tudo isso nós perdemos, de todas estas consolações nascemos órfãos. Cada civilização segue a linha intima de uma religião que a representa: passar para outras religiões é perder essa, e por fim perde-las a todas.

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Nós perdemos essa, e as outras também.

Ficamos, pois, cada um entregue a si próprio, na desolação de se sentir viver. Um barco parece ser um objeto cujo fim é navegar; mas o seu fim não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontramo-nos navegando, sem a ideia do porto a que nos deveríamos acolher.

 

Reproduzimos assim, na espécie dolorosa, a formula aventureira dos argonautas: navegar é preciso, viver não é preciso.

 

Sem ilusões, vivemos apenas do sonho, que é a ilusão de quem não pode ter ilusões. Vivendo de nós próprios, diminuímo-nos, porque o homem completo é o homem que se ignora.

 

Também há universo na rua dos Douradores …

 

        Amanhã também eu – a alma que sente e pensa, o universo que sou para mim -, sim, amanhã eu também serei o que deixou de passar nessas ruas, o que outros vagamente evocarão com um “o que será dele?” E tudo quanto faço, tudo quanto sinto, tudo quanto vivo, não será mais que um transeunte a menos na quotidianidade de ruas de uma cidade qualquer “ (Soares, 1914). *

* Esse texto é uma versão abreviada de um “Livro do Desassossego” composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.

 

SOARES, Bernardo. Livro do desassossego. In PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1974.