Convergência cultural e um laboratório de experiências politicas

Sócrates viveu em Atenas, na época de Péricles, período marcado pela criação de obras teatrais, em especial as tragédias. Atenas é, no tempo de Sócrates, o centro do mundo grego. “Atenas é um ponto de convergência cultural e um laboratório de experiências políticas, onde se firmara, pela primeira vez na história dos povos, a tentativa de um governo democrático, exercido diretamente por todos os que usufruíam dos direitos de cidadania.

Nessa democracia, a função pública dos oradores torna-se fundamental. E, consequentemente, a palavra torna-se não apenas um instrumento de ascensão política, como também um problema a preocupar retóricos e pensadores. Preparar o indivíduo para a vida pública. Conferir-lhe capacitação ou virtude política, representa, basicamente, adestra-lo na arte da persuasão através da palavra.

Atendendo a esses requisitos da ação política da Atenas democrática, para aí acorrem os sofistas.Professores de eloquência que, bem remunerados, se dispunham a ensinar aos jovens atenienses o uso correto e hábil das palavras”.

Os sofistas negam ser possível desvendar a natureza das coisas. Sustentam que todo o conhecimento é fundamentado numa convenção do que são as coisas, a partir das impressões sensíveis que temos delas. “Donde resulta que nenhuma afirmativa poderia pretender validade absoluta, só valendo relativamente as experiências e as circunstancias em que tem origem”.

“O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são”. Afirma Protágoras de Abdera, exprimindo o relativismo da sofistica.

Uma nova concepção cultural e política de alma (psique)

É a partir de Sócrates que “uma nova concepção de alma (psique) passou a dominar a tradição ocidental. Antes, como em Homero, a psique era o “duplo” que podia se desprender provisoriamente durante o sono ou definitivamente, com a morte. Mas que nada tinha a ver com a vida mental ou as “faculdades” da pessoa.

Nos órficos, era o princípio superior, que se reencarnava sucessivamente. Atravessando o processo purificador que a reconduziria as estrelas e a reintegraria na harmonia universal. Mas, enquanto ligada ao corpo, só se manifestava em situações excepcionais – sonhos, visões, transes.

Nos pensadores jônicos do século VI a.C., a psique era apenas uma parte do todo. Porção do pneuma (ar) infinito que habitava o corpo. Vivificando-o provisoriamente até escapar, como último alento, na hora da morte.

É a partir de Sócrates – ou pelo menos é na literatura referente a ele e que se seguiu a sua morte – que surge a concepção de alma como sede da consciência e do caráter”.

 

Referencias

 

PLATAO. Sócrates. São Paulo: Abril Cultural, 1985.