Os indivíduos que formam uma multidão não agem pela sua consciência

        Uma multidão “constitui uma alma coletiva poderosa, mas momentânea”. Uma característica da época atual é evidente quando vemos uma multidão em ação, os indivíduos que formam uma multidão não agem pela sua consciência, mas pela “consciência” da multidão.

        “As grandes convulsões que precedem as mudanças de civilização parecem determinadas por transformações políticas consideráveis, invasões de povos ou derrubadas de dinastias”. Mas não é bem assim que ocorre. “As únicas mudanças importantes, aquelas das quais provem a renovação das civilizações, produzem-se nas opiniões, concepções e crenças”.

 

A idade em que entramos será verdadeiramente a era das multidões

 

      “Hoje as reivindicações das multidões tornam-se cada vez mais claras e tendem a destruir completamente a sociedade atual para reconduzi-la ao comunismo primitivo, que era o estado normal de todos os grupos humanos antes da aurora da civilização.

        Pouco aptas ao raciocínio, as multidões mostram-se, ao contrário, muito aptas a ação. A história ensina que no momento em que as forças morais, base de uma sociedade, perdem seu vigor, a dissolução final é efetuada pelas multidões inconscientes e brutais adequadamente qualificadas como barbaras.

        Até aqui as civilizações foram criadas e guiadas por uma pequena aristocracia intelectual, nunca pelas multidões. Estas tem poder apenas para destruir. Seu domínio sempre representa uma fase de desordem. Quando o edifício de uma civilização está carcomido, as multidões levam-no ao desmoronamento. É quando seu papel aparece”.

 

O papel das multidões é destruir

 

        A qualidade da razão, o bom senso da lógica ou o raciocínio bem conduzido, poucas influências exercem sobre as multidões. As teorias metafisicas são rapidamente ignoradas pelas multidões. “Somente as impressões que se fazem surgir em sua alma podem seduzi-las”

        “O mais injusto poderá ser na pratica o melhor para as multidões, se for o menos visível e aparentemente o menos pesado. Por isso um imposto indireto, mesmo exorbitante, sempre será aceito pela multidão. Sendo diariamente recolhido nos objetos de consumo, por frações de centavos, não atrapalha seus hábitos e pouco a impressiona. Os homens nunca se comportam seguindo as prescrições da razão pura”.

 

Um indivíduo numa multidão faz parte de uma unidade mental

 

        Quando dizemos multidão estamos nos referindo a uma reunião de indivíduos quaisquer. A multidão pode mesmo ser formada por quaisquer indivíduos, pois uma multidão é “uma aglomeração de homens que possui características novas muito diferentes daquelas de cada indivíduo que a compõe”.

        O que caracteriza um indivíduo numa multidão é o desaparecimento da sua personalidade e a orientação dos seus sentimentos e dos seus pensamentos em um mesmo sentido. No sentido dado pela multidão.

 

 

        “O fato mais surpreendente apresentado por uma multidão é o seguinte: quaisquer que sejam os indivíduos que a compõem, o mero fato de se haverem transformado em multidão dota-os de uma espécie de alma coletiva. Essa alma os faz sentir, pensar e agir de um modo completamente diferente daquele como sentiria, pensaria e agiria cada um deles isoladamente”.

        “Na alma coletiva, apagam-se as aptidões intelectuais dos homens e consequentemente sua individualidade”. Numa multidão não é possível realizar atos que exijam “uma inteligência elevada”. Nas multidões imperam “não a inteligência, mas a mediocridade”.

 

Características especificas das multidões

 

Primeira característica é que “o indivíduo na multidão adquire, exclusivamente por causa do número, um sentimento de poder invencível que lhe permite ceder a instintos que, sozinho, teria forçosamente refreado”. A multidão garante o anonimato, por isso um indivíduo na multidão cede facilmente a comportamentos mais “instintivos”. Numa multidão, o sentimento de responsabilidade de um indivíduo desaparece.

Segunda característica, o contagio mental. “Em uma multidão, todo sentimento, todo ato é contagioso, e contagioso ao ponto de que o indivíduo sacrifique muito facilmente seu interesse pessoal ao interesse coletivo”. Sacrificar o seu interesse pessoal é um comportamento que se encontra em desacordo com a propensão de quaisquer espécies de indivíduos. Entretanto, o homem, quando faz parte de uma multidão, torna-se capaz de sacrificar o seu interesse pessoal.

Terceira característica, os indivíduos na multidão possuem características especificas as vezes muito opostas as do indivíduo isolado.

        “Esse é aproximadamente o estado do indivíduo que faz parte de uma multidão. Ele já não tem consciência de seus atos.

        Portanto, o desaparecimento da personalidade consciente, predomínio da personalidade inconsciente, orientação por meio de sugestão e de contagio dos sentimentos e das ideias num mesmo sentido, tendência a transformar imediatamente em ato as ideias sugeridas são as principais características do indivíduo na multidão. Ele já não é ele mesmo, é um autômato cuja vontade tornou-se impotente”.

        O homem que faz parte de uma multidão possui a “faculdade em se deixar impressionar por palavras, imagens e conduzir a atos que lesam seus mais evidentes interesses”. Mas não é apenas pelo seu comportamento que o indivíduo na multidão difere de si mesmo. “Antes mesmo de ter perdido toda independência, suas ideias e seus sentimentos se transformaram”.

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        A pratica terapêutica pretende acompanhar o indivíduo na transformação de seus sentimentos, em direção a sua autonomia e a sua responsabilidade pelos seus atos. Se é possível deixar-se levar, também é possível conter-se. Experimentar as instancias que separam os opostos é uma das técnicas utilizadas na psicoterapia. O entendimento de uma sensação passa pela compreensão da sua sensação simétrica oposta. Para perceber uma emoção como tristeza é necessário percorrer as instancias da alegria. A vida é movimento.

 

Referencias

LE BON, Gustave. Psicologia das multidões. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008.

 

A emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte

A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o misterioso. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte.

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Não existe nenhum caminho logico para a descoberta das leis elementares do Universo – o único caminho é o da intuição.

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Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silencio – e eis que a verdade se me revela.

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A imaginação é mais importante que o conhecimento.

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A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si mesmo.

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Talvez algum dia a solidão venha a ser adequadamente reconhecida e apreciada como mestra da personalidade. O indivíduo que teve experiência da solidão não se torna vitima fácil da sugestão das massas.

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Na verdade, você nunca entende uma nova teoria. Você simplesmente a utiliza.

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O homem vem a terra para uma permanência muito curta, para um fim que ele mesmo ignora, embora, às vezes, julgue sabe-lo.

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O homem, como qualquer outro animal, é por natureza indolente. Se nada o estimula, mal se dedica a pensar e se comporta guiado apenas pelo habito, como um autômato.

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Sem a convicção de uma harmonia intima do Universo, não poderia haver ciência.

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        Às vezes me pergunto como pode ter acontecido de eu ter sido o único a desenvolver a Teoria da Relatividade. A razão, creio eu, é que um adulto normal nunca para para pensar sobre problemas de espaço e tempo. Isso são coisas que ele pensou quando criança.

        Mas o meu desenvolvimento intelectual foi retardado, motivo pelo qual comecei a questionar sobre espaço e tempo somente quando já era adulto. Naturalmente, pude ir muito mais fundo no problema do que uma criança com suas habilidades normais.

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O universo é finito, mas ilimitado.

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        – Quando um homem se senta ao lado de uma moça bonita, durante uma hora, tem a impressão de que se passou apenas um minuto. Deixe-o sentar-se sobre um fogão quente durante um minuto somente – e esse minuto lhe parecera mais comprido do que uma hora.

        – Isto é a relatividade.

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O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda a parte.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        É através das nossas sensações que compreendemos o mundo. A Psicologia é a ciência que compreende o mundo estudando os nossos sentimentos com relação ao mundo. Essa necessidade de dar sentido ao mundo parece algo constitutivo do ser humano. Seja esse sentido dado pelas sensações, emoções, ciências, artes, imaginação, intuição, pensamentos. A vida é movimento.

 

Referencias

EINSTEIN, Albert. O pensamento vivo de Einstein. São Paulo: Martin Claret Editores, 1986.

 

A tatuagem era uma prática tradicional

Saia desse corpo que não lhe pertence!
 
Capitulo 6

 

        A tatuagem foi redescoberta no Ocidente na época das “grandes expedições marítimas que se realizaram durante o século XVIII. E, em especial, às ilhas do Pacífico, onde foi observado que a tatuagem era uma prática tradicional, bastante expandida e com importantes funções sociais” (Fonseca, 2003).

        Considerado um dos primeiros registros literários do qual se tem notícia, James Cook, quando esteve no Taiti, na Polinésia, relatou em seu diário, no ano de 1769: “os nativos usavam espinhas de peixe muito finas ou ossos de pássaros para perfurar a pele e injetar um pigmento feito à base de carvão e ferrugem.

        A palavra tatuagem tem origem na palavra tattow, escrita por Cook em seu diário, também conhecida como tatau” (Ferreira, 2012), “A origem do nome tatuagem como o conhecemos tem uma história curiosa: ‘Tatau’ como era chamada inicialmente pelos nativos taitianos, era a forma como se referiam à onomatopeia do som emitido durante a execução da tatuagem” (Simões, 2011).

        “Somente quando os marinheiros e viajantes talharam suas peles foi que se estabeleceu uma ponte através da qual o Ocidente se aproximou e iniciou sua trajetória na tatuagem” (Fonseca, 2003).

        “Os desenhos na pele não eram exclusivos para ritos de passagem, celebrações de eventos sociais ou proteção, eram muito usados também para amedrontar os inimigos. São chamadas de pinturas de guerra e, dependendo da cor, servia também como camuflagem na floresta” (Silva, 2010).

 

 

“As mudanças econômicas e sociais causadas pelo capitalismo e pela industrialização tiram do corpo a dimensão humana e o transformam num instrumento de trabalho, que deve ter seus instintos dominados, educados e disciplinados” (Pires, 2005).

        “A disciplina e controle corporais eram preceitos básicos. Todas as atividades físicas eram prescritas por um sistema de regras rígidas, visando a saúde corporal” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

        “A obtenção do corpo sadio circundava a dominação do indivíduo: a prática física domava a vontade, contribuindo para tornar o praticante subserviente ao Estado.

        Na lógica de produção capitalista o corpo mostrou-se tanto oprimido, quanto manipulável. Era percebido como uma ‘máquina’ de acúmulo de capital. Deste modo, os movimentos corporais passaram a ser regidos por uma nova forma de poder: o poder disciplinar.

        As novas tecnologias de produção em massa desencadearam um processo de homogeneização de gestos e hábitos que se estendeu a outras esferas sociais, entre elas a educação do corpo, que passou a identificar-se não só com as técnicas, mas também com os interesses da produção.

        A padronização dos conceitos de beleza, fundada no corpo magro ou musculoso, ancorada pela necessidade de consumo, criada pelas novas tecnologias e homogeneizada pela lógica da produção, foi responsável por uma diminuição significativa na quantidade e na qualidade das vivências corporais do homem contemporâneo” (Pelegrini, 2005).

        No século 19, se referiam a sociedade como “uma sociedade anónima, uma vasta população de gente que não se conhece. O trabalho, o lazer, o convívio com a família são atividades separadas, vividas em compartimentos a ela destinados. O homem procura proteger-se do olhar dos outros…

        Disciplinamos o corpo para que consigamos reconhecimento social e aprovação, estando o prazer associado ao esforço, o sucesso à determinação e a intensidade do esforço será proporcional à angústia provocada pelo olhar do outro” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

        A Psicologia de Rebanhos parte da hipótese de que somos o nosso corpo. E que o corpo de cada um de nós é função das nossas relações sociais e pessoais. Cada sociedade se compõe de corpos específicos que cumprem determinada finalidade. Cada sociedade necessita de corpos com habilidades especificas para manter a sua hegemonia cultural.

        Nossos corpos são instrumentos sociais que cumprem uma função especifica na sociedade. Conhecer como nós agimos socialmente e como esse nosso agir social afeta nossa vida pessoal é a nossa tarefa. Aprender a lidar com o que a sociedade quer de nós e o que nós queremos da vida é o nosso limite. Atuar fora desse espaço entre o social e o pessoal é penetrar num mundo de indeterminação.

 

Referencias

BARBOSA, M. R.; MATOS, P. M.; COSTA, M. E. Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade; 23 (1): 24-34, 2011. Outubro de 2009. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

FERREIRA, Deborah Cristina. O corpo como texto: analise discursiva da escrita no corpo. Revista Eventos Pedagógicos, v. 3, n. 1 Numero Especial, p. 138 – 146, abr, 2012. Acesso em 08 de março de 2015. Disponível em

FONSECA, Andrea Lissett Perez. Tatuar e ser tatuado: etnografia da pratica contemporânea da tatuagem. Florianópolis, agosto de 2003. Acesso em 08 de março de 2015. Disponível em

PELEGRINI, Thiago. Imagens do corpo: reflexões sobre as acepções corporais construídas pelas sociedades ocidentais. Revista Urutágua – revista acadêmica multidisciplinar  – Quadrimestral – Nº 08 – Dez/Jan/Fev/Mar de 2005/6 – Maringá – Paraná – Brasil – ISSN 1519.6178. Centro de Estudos Sobre Intolerância – Maurício Tragtenberg, Departamento de Ciências Sociais – Universidade Estadual de Maringá (DCS/UEM). Acesso em 20 de julho de 2015. Disponível em

PIRES, Beatriz Ferreira. O corpo como suporte da arte: piercing, implante, escarificação, tatuagem. São Paulo: Editora SENAC, 2005.

SILVA, Bruna Cristina Daminelli. A tatuagem na contemporaneidade. Criciúma, julho de 2010. Acesso em 21 de julho de 2015. Disponível em

SIMÕES, Renan. A Comunicação não Verbal Através da Tatuagem. XIV Conferência Brasileira dos Estudos da Folkcomunicação – “O artesanato como processo comunicacional” – IX Encontro Regional de Comunicação, 2011. Acesso em 21 de julho de 2015. Disponível em

 

O homem é o criador dos valores, mas esquece sua própria criação

        “Apolo é o Deus da clareza, da harmonia e da ordem; Dioniso, o deus da exuberância, da desordem e da música”.

        “O homem é o criador dos valores, mas esquece sua própria criação e vê neles algo de ‘transcendente’, de ‘eterno’ e ‘verdadeiro’, quando os valores não são mais do que algo ‘humano, demasiado humano’’’.

 

O dionisíaco e o socrático

        “Nietzsche trouxe uma nova concepção da filosofia e do filosofo, não se trata mais de procurar o ideal de um conhecimento verdadeiro, mas sim de interpretar e avaliar”.

        A interpretação procura conhecer o sentido de um fenômeno. Porém, por mais alcance que tenha o pensamento, ele será sempre parcial e fragmentário. O conhecimento é uma ideia de um sujeito, e somente daquele sujeito, que pensa o sentido de um fenômeno. A avaliação tenta determinar o valor de um fenômeno. A avaliação busca entender para que o fenômeno acontece, se presta, existe.

        Assim é a busca por um ideal. A busca de um ideal é similar a arte de interpretar. É similar a coisa a ser interpretada. Assim é a verdade. A verdade é similar a arte de interpretar. Na arte de interpretar, ator e obra se avaliam e interpretam a existência.

 

O homem é o criador dos valores, mas esquece sua própria criação

        Entre os filósofos pré-socráticos existe unidade entre o pensamento e a vida. A vida “estimula” o pensamento e o pensamento “afirma” a vida. O pensamento é algo que existe porque sentimos. “Mas o desenvolvimento posterior da filosofia trouxe consigo a progressiva degeneração dessa característica, e, em lugar de uma vida ativa e de um pensamento afirmativo, a filosofia propôs como tarefa ‘julgar a vida’”.

        A filosofia se cristaliza, então, opondo a vida valores, com a pretensão de significados superiores aos sentidos. Esses valores, criados pelos filósofos e aqueles que os apoiaram, passam a ser a medida da vida. O que é certo ou errado, bom ou mau, belo ou feio. Os filósofos e aqueles que os apoiaram impuseram limites a maneira de viver de todos. Aqueles filósofos e seus apoiadores condenaram a vida a valores ideais de existência. É quando surge, então, o filosofo metafisico – o filosofo do sobrenatural.

        Nesse momento “moralista” (idealista) da vida grega, torna-se propicio a degeneração do sentimento da vida e a ascensão do pensamento sobre a vida. Então, aparece Sócrates, como o representante daqueles que apoiam a ascensão do pensamento sobre a vida. É nessa fase da vida grega que “se estabelece a distinção entre dois mundos, pela oposição entre essencial e aparente, verdadeiro e falso, inteligível e sensível”.

        Sócrates e aqueles que o apoiam descobriram ”a metafisica fazendo da vida aquilo que deve ser julgado, medido, limitado, em nome de valores ‘superiores’ como o Divino, o Verdadeiro, o Belo, o Bem”. Valores criados pelo próprio homem.

 

A invenção das palavras

        As palavras são uma invenção do homem, de qualquer classe de homem. As palavras, sejam elas quais forem, não querem dizer nada. As palavras por si só, apenas impõem uma interpretação. O que nos interessa, portanto, não é o significado de uma palavra, mas o que existe numa palavra para ser interpretado. Pois tudo é inventado, tudo é mascara, interpretação e avaliação.

 

Um poder concedido

        Todo aquele sobre quem se diz que tem poder conquistou tal poder através da violência. A violência é uma concessão de poder, dada por alguém para aquele que passa a deter o poder. Portanto, para todo aquele que detém o poder, corresponde alguém que lhe concedeu tal poder. A consequência de conceder poder a alguém é dar o direito a esse alguém de um poder sobre aquele que concede o poder. O direito, portanto, é uma concessão dada e conquistada pela violência, arrogância e usurpação.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        O poder é exercido pela palavra. A palavra é uma invenção do homem. Entretanto, as palavras em si não querem dizer nada. As palavras são interjeições sofisticadas de sentimentos de ação e reação. O poder das palavras é conhecido desde a época dos deuses gregos. As palavras são mandamentos. As palavras são sons impostos pela violência. As palavras que formam pensamentos lógicos ou sensatos são fundamentos da ciência e da justiça. Com essas palavras pode-se dominar a maioria das pessoas. As palavras constroem imagens. Essas imagens são ainda mais poderosas que as palavras que as constroem. Com essas imagens pode-se submeter uma multidão.

        A Psicologia de Rebanhos busca compreender as imagens que as palavras tentam representar. A Psicologia de Rebanhos busca compreender como alguém detém o poder sobre outro alguém. A Psicologia de Rebanhos busca compreender como alguém concede poder para outro alguém. A Psicologia de Rebanhos busca compreender como alguém se empodera.

 

Referencias

 

NIETZSCHE, Friedrich. Obras incompletas. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

 

O mundo real deixou de ser aqui e foi para onde estavam as ideias

O corpo e algo além do corpo

        Na Grécia Antiga, o corpo estava nu. O corpo nu era valorizado, contemplado e objetivado. O corpo nu exprime a beleza, a harmonia, a graça, a sensualidade, a virilidade. Mas vieram os filósofos, Sócrates, Platão e companhia, e o mundo real deixou de ser aqui e passou a ser o mundo das ideias.

        A partir de então, o corpo começa a ser visto como uma ilusão. E descobre-se a alma como a verdadeira realidade da essência do humano. O homem agora tem uma alma.

        Na pintura e na escultura religiosas que vieram a seguir, o corpo nu é rejeitado. O corpo nu precisa ser escondido. Esconder o corpo é a tentativa de negar o corpo enquanto realidade. Esse corpo, agora é frio e rígido, está asfixiado sob uma montanha de tecidos que lhe mascaram as formas.

        Mas, apesar de maltratado, penitenciado pelas vicissitudes da alma, o corpo ainda tem o seu valor, pois ele é a morada da alma. Mas, por pouco tempo, os seus anos de gloria e de cuidado estão contados. É, nessa época, que se instala em nossa cultura um dualismo fundamental: corpo e alma.

        Mas não para por aí, não. Esse foi apenas o início da indiferença pelo corpo. Ao dualismo teológico, corpo e alma, da era cristã, vai suceder, no século 16, o dualismo cartesiano, corpo e mente. “Penso, logo existo”. Existo porque penso, porque sou mente. Em lugar de existo porque tenho um corpo que sente, percebe e age.

 

A origem das terapias

       Quatro séculos se passam e nem a alma nem a mente dão conta da complexidade da existência. E retornamos ao corpo nu, levado ao status de fonte e do destino de todos os males da humanidade.

        De novo, voltamos a nos relacionar com os nossos corpos. Tornamos a cuida-los e continuamos a maltrata-los. Os nossos corpos se tornam, de novo, a realidade. Enchemos os nossos corpos de gordura, comemos somente folhas, pintamos os nossos corpos, furamos eles. Modificamos os nossos corpos com enchimentos plásticos, com escarificações, com desenhos, exercícios, cremes e cheiros. Em suma, voltamos a cuidar (?) dos nossos corpos, mas os modificando.

        Nos dias atuais, nosso foco se encontra na aparência do corpo. Cada um de nos está, isoladamente, na busca do seu corpo nu ideal. Um corpo imagem, independente da sua força muscular, seu tônus, e, distanciado do seu afeto.

 

Do mental ao relacional

“Nada pode integrar-se realmente ao ser se não passar antes pela sua organização tônico-emocional”.

A psicologia corporal coloca a ênfase sobre a primazia da relação com o outro.

        O terapeuta corporal não é neutro, bem como todos os demais tipos de terapeutas. Mesmo quando o terapeuta se relaciona num diálogo não verbal com o seu cliente não há neutralidade. O terapeuta desempenha o papel de um parceiro que tenta, por suas intervenções, provocar respostas relacionais. Ele é neutro no sentido de que não julga, não aconselha e, sobretudo, porque suas intervenções se prestam a acompanhar e a compreender como o seu cliente forma a sua existência.

        Os resultados obtidos com crianças que não tem acesso a linguagem verbal provam que é possível acessar a vida afetiva sem necessariamente passar pela interpretação verbal.

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

Referencias

LAPIERRE, Andre. Da psicomotricidade relacional a analise corporal da relação. Curitiba: Ed. UFPR, 2010.

 

O conceito de moda em que diferentes estilos se sucedem

Saia desse corpo que não lhe pertence!

 Capitulo 4

        “Na Idade Média o corpo serviu, mais uma vez, como instrumento de consolidação das relações sociais” (Barbosa, Matos e Costa, 2009). “O conceito de moda, em que diferentes estilos se sucedem, iniciou-se no final da Idade Média, com o surgimento de vestimentas especificas para cada sexo” (Pires, 2005).

        “As modificações na estrutura do vestuário masculino e feminino que se impõem a partir de 1350 são um sintoma direto dessa estética preciosista da sedução. O traje marca, desde então, uma diferença radical entre masculino e feminino, sensualiza como nunca a aparência.

        O caráter de sedução coloca a moda em oposição a religião. Moda é prazer. O indivíduo se modifica conforme seu desejo, se torna único, se sente parte de uma cultura.

        Beleza e características pessoais voltam a ser admiradas e aceitas, e o indivíduo se apodera novamente do seu corpo” (Pires, 2005).

        “É também na Idade Média que aparece a nova figura literária do cavaleiro andante, do amor cortês, refletindo, deste modo, uma visão muito diferente do corpo e das suas relações” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

        “O homem passou a cultuar a si próprio. As leis sobre o funcionamento da sociedade agora eram ditadas pela razão, e questões como os sentimentos, as emoções, a sexualidade, que durante a Idade Média eram tidos como ações pecaminosas, foram incorporados pela nova sociedade” (Cassimiro e Galdino, 2012).

No decorrer do século 16

        “A moda foi adquirindo características rígidas e desconfortáveis, que obrigavam os indivíduos a manterem uma postura altiva e hierárquica”.

        O rufo, “uma espécie de babado que envolve o pescoço do indivíduo inibindo seus movimentos. O indivíduo que o usava não precisava movimentar-se nem realizar nenhuma tarefa que necessitasse de esforço físico.

 

o-conceito-de-moda-em-que-diferentes-estilos-se-sucedem-iniciou-se-no-final-da-idade-media        O codpiece era um tapa-sexo que tinha como finalidade evidenciar o sexo masculino. O corpete, que é a parte frontal das blusas, mantido pelo uso de barbatanas frequentemente feitas de madeiras. Sua função era manter a postura ereta.

        Introduzido na moda do século 18, o sapato de salto alto, utilizado a princípio por indivíduos de ambos os sexos, restringe os movimentos, dificulta o deslocamento, se tornou, devido as atribuições sociais um objeto, exclusivo do vestiário feminino. A pinta aplicada inicialmente no rosto durou mais de meio século surgiu em 1655.

        Perucas masculinas – que já haviam sido usadas no século 14 e reaparecem no século 18 em diversos modelos, escolhidos conforme a atividade que o indivíduo desempenha. De forma a alongar a silhueta e restringir os movimentos.

        A ciência medica influencia os costumes e a moda, fazendo voltar o habito dos banhos, abandonado na Idade Média, e determinando uma mudança no vestuário, com a utilização de tecidos mais leves e a diminuição do volume das roupas” (Pires, 2005).

        “Levando em consideração que a sociedade moderna foi caracterizada e controlada pela Razão, o corpo como elemento social, também não fugiu desse controle. O fato de ele ser considerado pelas Ciências Biológicas no final do século XVII, como uma máquina cheia de engrenagens reflete a visão mecanicista, baseada na visão cartesiana.

        O fazer, o agir e o ato de se movimentar, eram ações primeiramente pensadas, esquematizadas e depois realizadas” (Cassimiro e Galdino, 2012).

Referências

 

BARBOSA, M. R.; MATOS, P. M.; COSTA, M. E. Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade; 23 (1): 24-34, 2011. Outubro de 2009. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

CASSIMIRO, Érica Silva; GALDINO, Francisco Flávio Sales. As concepções de corpo construídas ao longo da história ocidental: da Grécia antiga à contemporaneidade. Revista Eletrônica Print by. Μετάνοια, São João del-Rei/MG, n.14, 2012. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

PIRES, Beatriz Ferreira. O corpo como suporte da arte: piercing, implante, escarificação, tatuagem. São Paulo: Editora SENAC,2005.

A mente da pele

         “Interessa-me como a experiência tátil, ou sua ausência, afeta o desenvolvimento do comportamento; por isso, ” a mente da pele ””.

Nossos sentidos modelam o corpo de nossa realidade

         “A tendência é as palavras ocuparem o lugar da experiência. As palavras passam a ser declarações ao invés de demonstrações de envolvimento; a pessoa consegue proferir com palavras aquilo que não realiza num relacionamento pessoal sensorial”.

         O nosso mundo ocidental apoia-se nos “sentidos de distância” – visão e audição. Em detrimento dos “sentidos de proximidade” – paladar, olfação e tato. O tato pode ser considerado um sentido em extinção.

A linguagem dos sentidos é capaz de ampliar nossa valorização do outro e do mundo em que vivemos. A linguagem dos sentidos aprofunda a nossa compreensão em relação ao mundo, a uma outra pessoa.

        O tocar é a principal dessas outras linguagens dos sentidos. Através do toque tempos uma compreensão singular do sentido do mundo. “As comunicações que transmitimos por meio do toque constituem o mais poderoso meio de criar relacionamentos humanos, como fundamento da experiência”.

         “O amor e a humanidade começam onde começa o toque”.

A mente da pele

“Na evolução dos sentidos, o tato foi, sem dúvida, o primeiro a surgir. O sentido mais intimamente associado a pele, o tato, é o primeiro a desenvolver-se no embrião humano.

Quando o embrião ainda tem menos do que 2,5 cm de comprimento da cabeça e tronco, quando ainda tem menos de seis semanas de vida, um leve acariciar do lábio superior, ou das abas do nariz, fazem o pescoço se curvar e o tronco se afastar da fonte da estimulação.

        O embrião ainda não tem olhos ou orelhas. Com nove semanas de vida fetal corridas, se a palma for tocada, os dedos se curvam esboçando o gesto de agarrar; com doze semanas, os dedos e polegar se fecham.

Pressionar a base do polegar fara com que o feto abra a boca e mova a língua. Tocar com firmeza a parte de trás ou a sola do pé resultara em encurvamento dos artelhos ou num movimento de abertura dos mesmos para o lado, assim como evidenciara o reflexo de colocação – flexão do joelho e do quadril, como um afastamento do toque”.

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         “Existe uma lei embriológica geral segundo a qual quanto mais cedo se desenvolve uma função, mais fundamental ela provavelmente é”.

Funções da pele

         A pele protege os tecidos macios e moles do interior do corpo. É mediadora de sensações, reguladora da temperatura, reservatório de alimento e agua. A pele está implicada no metabolismo e armazenamento de gordura, e no metabolismo de agua e sal através da respiração e outras funções.

         Que influencia tem sobre o desenvolvimento do organismo os vários tipos de experiências cutâneas que o mesmo vive?

         “Aquilo que acontece na mente pode se expressar na pele de muitas e diferentes maneiras. Pensamentos perturbadores que podem irromper na forma de furúnculos de pele, de urticaria, psoríase e muitas outras desordens epidérmicas podem originar-se na mente”.

Que tipos de estimulação da pele são necessários ao desenvolvimento do organismo?

        Evidencias chamam a atenção para “a importância da pele não só no desenvolvimento das funções físicas como ainda no desenvolvimento das comportamentais”.

“A pele é o espelho do funcionamento do organismo; sua cor, textura, utilidade, secura refletem nosso estado de ser psicológico e também fisiológico”.

Referências

MONTAGU, Ashley. Tocar: o significado humano da pele. São Paulo: Summus, 1988.

Você tem consciência da sua respiração ou nunca pensou nisso?

        Você toma cuidado com a sua dieta? Você come por dever ou come por prazer? Você faz exercícios regularmente ou não tem tempo ou não lhes dá importância? Você bebe bastante agua ou agua nem para tomar remédio?  Você tenta ser alegre e rir ou está sempre reclamando de tudo? Você tem consciência da sua respiração ou nunca pensou nisso?

        Para você responder estas e outras perguntas sobre você, é preciso que você tenha consciência de você mesmo. A consciência é o passo inicial para alterar qualquer estado de coisas.

O toque

         Você já se tocou hoje? Você nunca se toca? O toque é uma forma de conhecimento. O toque é uma das principais necessidades dos animais.

        O toque tem sido usado como terapia desde as civilizações mais antigas. É sabido que macacos jovens privados de convívio próximo sentem dificuldade em se relacionar. Os bebes humanos na ausência do toque produzem irritabilidade e depressão.

Muito além do toque

         A massagem é um método de tocar, pressionar, friccionar e amassar diversas regiões do corpo. A massagem pode aliviar a dor, relaxar, estimular e tonificar músculos, tendões, ligamentos e articulações.

         A massagem mobiliza a musculatura e a articulação. A massagem realiza um trabalho de alongamento, respiração e meditação.

Alongamento

         O alongamento atua como correção da postura e alivio de dores musculares. Mantem os músculos maleáveis – o que facilita a mobilidade e reduz os riscos de lesão muscular e articular.

Respiração

         A respiração é uma função vital e involuntária, mas que pode ser controlada pelo indivíduo. Faça um teste agora. Expire todo o ar. Pausa. Inspire contando lentamente um, dois, lentamente, três, quatro. Pausa. Conte um, dois. Expire lentamente contando um, dois, lentamente, três, quatro. Viu, você controlou a sua respiração!

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         Você pode facilmente perceber a relação entre a sua respiração e os seus estados emocionais. Os estados emocionais produzem um efeito direto e imediato na forma como inspiramos e expiramos. Preste atenção em como a sua respiração muda em momentos de estresse, relaxamento ou alegria.

        Quando você inspira e expira, conscientemente e profundamente, como fizemos a pouco, você causa o relaxamento dos músculos e a diminuição da frequência cardíaca. “Além disso, o ar fica um tempo maior em contato com os alvéolos do pulmão, melhorando a troca gasosa e permitindo que mais oxigênio atinja a circulação, alimentando células e órgãos vitais”.

        Isso promove a atenção e o relaxamento. E auxilia na diminuição da quantidade de pensamentos e na melhoria do raciocínio.

        A respiração consciente potencializa os efeitos da meditação, auxiliando as pessoas a experimentarem estágios mentais diversificados, e ainda ajuda a diminuir a ansiedade, a depressão e o estresse.

Meditação

        O primeiro passo para a consciência é você se tornar atento ao seu corpo. Como você faz isso? Se você está sentado agora. Observe como você toca a cadeira. Quais as partes do seu corpo tocam a cadeira e como elas a tocam.

        Agora, torne-se consciente dos seus pensamentos. Como você faz isso? Perceba o que é que você está pensando. Quais são as qualidades desses seus pensamentos? Cuidado com os seus pensamentos! Os nossos pensamentos se utilizam de uma lógica toda nossa para nos enganar.

        Porém, o próprio fato, de você observar como a sua mente funciona, a transforma. Agora, no terceiro passo, você se torna consciente dos seus sentimentos, das suas emoções, dos seus humores. Como você faz isso?

        Acompanhe o ritmo da sua respiração. Não é necessário nomear o que você está sentindo. Existe consciência anterior as palavras. Até que … você se torna uma pessoa acordada, consciente da sua própria consciência.

Referências

MARTILNELLI, Alda. Yoga massagem ayurvédica: a transformação pelo toque: método Kusum Modak. São Paulo: Editora Olhares, 2011.

Como é que você sabe que você é você?

        Você sabe como você sabe o que você está sentindo? Você sabe como se ligam aquilo que você sabe, a mente, e aquilo que você sente, o corpo? Vamos tentar uma compreensão, dentre outras tantas que estão por aí.

        Você sabe o que é atitude? Alguns psicólogos definem atitude como um “constructo hipotético”. Chi …. Caramba! Já começou complicando! Sem estresse! Constructo hipotético é somente uma entidade que não existe fisicamente. Calma! Calma! Não é uma entidade espiritual. É uma ideia. Constructo hipotético é uma ideia sobre alguma coisa. A psicologia está repleta de constructos hipotéticos, assim como as pesquisas cientificas.

        Mas voltemos a atitude. Alguns cientistas creem que a atitude precede e causa o comportamento de uma pessoa, quando ela se encontra diante um objeto particular ou em uma certa situação.

        Quando os psicólogos falam de atitudes se referem em geral a um afeto ou disponibilidade para responder de certa maneira frente a um objeto ou fenômeno social. Hum… continua complicado! Calma, vamos pesquisando! Afinal, segundo alguns psicólogos, todos nós somos cientistas – eu, você, a torcida do Flamengo.

        Nina Bull, entre 1947/1951, examinou a relação entre a emoção e a postura, associando essa relação como uma relação entre o corpo e a mente. Vejam que coisa fantástica ela concluiu: que existe uma relação de sentimento que está associada com a emoção e uma atitude motora (postura ou posicionamento) e que uma mudança quantitativa nos sentimentos resulta numa mudança no comportamento expressivo.

        Que máximo! Quer dizer que se eu mudar a intensidade de um sentimento, por exemplo, a raiva, eu mudarei a minha postura? Mas claro, quanto mais raivoso mais tenso a gente vai ficando. Cada vez mais vou expressando uma postura parecida como uma postura de combate, de luta!

        Seis principais estados emocionais foram denominados por Nina Bull: alegria, triunfo, medo, raiva, desgosto e depressão. Alguns deles possuem uma significação positiva, como as que se traduzem como agradáveis: alegria e triunfo. Os demais inspiram estados desagradáveis para alguns.

        Para cada emoção estudada, Nina Bull concluiu que existe um complexo particular de atitudes motoras, associadas com esta emoção. Ainda mais, ela afirma que determinados comportamentos aumentam, amplificam este sentimento. Em outras palavras, existe uma postura particular para cada emoção que intensifica as emoções, determinando-se desta forma a relação entre o afeto e o sistema nervoso.

Como voce sabe que voce e voce

        A sua atividade cognitiva, ou seja, seu pensamento, é, portanto, afetada por processos emocionais. Os rendimentos nos exames ou outras situações de avaliação podem ser diminuídos quando você é tomado por uma reação ansiosa de medo.

        Você pode estar se perguntando como isso acontece. Como as atitudes são ativadas e expressas no corpo? Tem gente que estuda isso e se apoia na hipótese de que as atitudes são ativadas e expressas no corpo através do sistema nervoso central e do sistema nervoso periférico.

        Ah… e você achava que era causado pelo sopro divino! Que nada, o neuroanatomista James Papez (1937) já demonstrara que a emoção não é função de centros cerebrais específicos e sim de um circuito, envolvendo quatro estruturas básicas, interconectadas por feixes nervosos: o hipotálamo, o tálamo, o giro cingulado e o hipocampo.

        Caramba! Quanta estrutura envolvida apenas para eu sentir raiva! É.… e ainda tem aquela tal amígdala. Amigdala? O que a sua amigdala tem a ver com as suas emoções? E quem fez cirurgia e retirou as amigdalas? Calma! Essa amigdala não é o gânglio linfático localizado na garganta, não. Essa amigdala é uma estrutura em forma de amêndoa, situada dentro da região anteroinferior do lobo temporal cerebral.

        Essa amigdala é fundamental para a autopreservação. Ela é o centro identificador do perigo. É a amigdala que gera o medo e a ansiedade e coloca o animal em situação de alerta. Sentindo medo e ansiedade você se prepara para fugir ou enfrentar o perigo. Essa amigdala cerebral é muita nossa amiga.

        Você sabe que todo cientista é uma pessoa cruel, né. Pois, então, você sabia que eles destruíram as amígdalas (são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais) de um ratinho (os ratinhos são os bichinhos preferidos para a crueldade cientifica). Isso fez com que o bichinho se tornasse dócil, sexualmente não-discriminativo, afetivamente descaracterizado e indiferente às situações de risco.

        Emoções e sentimentos, como ira, pavor, paixão, amor, ódio, alegria e tristeza, são criações mamíferas, processadas no sistema límbico. É no sistema límbico que se organizam os pensamentos, as emoções e os desejos, e é onde a pessoa se reconhece como um eu. Atenção, onde se organizam e não onde se originam!

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações (Fernando Pessoa).

        Porém, esse acesso a como uma pessoa se reconhece como um eu, ainda não pode ser identificado diretamente no organismo físico. Entretanto, através da psicoterapia já percebemos alguns desses processos de identificação de como uma pessoa funciona.

Referências

FROHLICH, Sulamita e FRANCO, Carlos Alberto da silva. Os pares de nervos cranianos: uma abordagem em neurociência cognitiva. UFRJ – IM – DCC NEUROCIÊNCIA COGNITIVA E COMPUTAÇÃO MP – 01/2004. Acesso em 28 de janeiro de 2015. Disponível em

Você sabe o que você faz para se manter em pé ou em movimento?

Músculos estáticos e músculos dinâmicos

        Você sabe o que você faz para se manter em pé? Você se mantém em pé pela atividade dos seus músculos estáticos. E para se movimentar, você sabe como você faz? Ah, essa é uma atividade dos músculos dinâmicos. E o que isso tem a ver com a psicologia? Você sabe o que você faz para se manter em pé ou em movimento?

        Ah, psicologia e postura tem tudo a ver. Você sabe que os músculos da dinâmica podem ser exercitados com a finalidade de reforça-los? E que os músculos da estática podem ser exercitados em alongamento? Você sabe que os músculos abdominais possuem pouco tônus e podem relaxar por sedentarismo? Hum, você prefere barriguinha “tanquinho” ou “máquina de lavar”? Mas o que isso tem a ver com a psicologia?

 

Da deformação da postura a problemas de articulação

        Ah, psicologia e tônus muscular tem tudo a ver. Admite-se hoje que lesões articulares são devidas a problemas de postura. Também se sabe que os músculos que nos erguem também nos achatam. As posturas deformadas ou indevidas favorecem a aparição de dores musculares (por contratura), ligamentares, discais ou articulares. Mas onde entra a psicologia nisso?

 

Da rigidez muscular a insuficiência respiratória

        Ora, ora, psicologia e dores tem tudo a ver. Com quanto de facilidade você movimenta o seu tórax? Os nossos músculos respiratórios precisam de flexibilidade para se movimentar. Você pratica o alongamento dos seus músculos respiratórios para que eles recuperem seu comprimento, sua flexibilidade e sua força ativa? Um tórax que abaixa livremente pode elevar-se com maior amplitude, aumentando assim as trocas. Mas o que isso tem a ver com a psicologia?

 

Estatica e dinamica - manter-se em pe e em movimentoAntagonismo e complementaridade: equilíbrio das tensões

        Elementar, psicologia e respiração tem tudo a ver. Você sabia que nossos músculos são antagonistas e complementares? Isto é, eles se opõem ou se complementam uns aos outros, segundo as circunstancias? Pois bem, os músculos da estática são os responsáveis por nossa postura, o nosso jeito de ficar em pé, qualquer que seja o estado dos músculos dinâmicos.

 

As cadeias musculares

        Você sabia que nossos músculos, além de se oporem e se complementarem, também são parte de uma cadeia de músculos? Como parte de uma cadeia muscular, qualquer alteração ocorrida num musculo modifica toda a tonicidade da cadeia a qual esse musculo pertence. Portanto, a globalidade da nossa estrutura muscular é uma necessidade básica. Hum, isso já começa a parecer com psicologia.

 

Individualidade, causalidade, globalidade

        Hum, psicologia e necessidade tem tudo a ver. As formas adotadas pelos nossos comportamentos musculares são estritamente pessoais. São devidas as nossas necessidades individuais. Dependem de nosso patrimônio genético, de nossas atividades diárias, de traumatismos e de outros estímulos. Portanto, não há duas colunas vertebrais perfeitamente idênticas. Nós somos seres singulares e patológicos únicos. Ah, isso é a cara da psicologia!

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa).

Referencias

SOUCHARD, Philippe. RPG: fundamentos da Reeducação Postural Global. São Paulo: E. Realizações, 2003.