A cristianização se confirma nas ideias de Aristóteles

        Se com Agostinho assistimos à conciliação do pensamento de Platão com o cristianismo, é com Tomás de Aquino que a cristianização se confirma nas ideias de Aristóteles.

 

A perfeição divina

        “Para Aristóteles, uma definição não implica jamais a existência, logica ou empírica” de algo. “Assim, em Aristóteles, a distinção entre essência e existência é puramente conceitual, logica”. Essência e existência são apenas palavras, nada mais do que palavras.

        Enquanto isso, “Tomás de Aquino conclui que a definição da essência das criaturas não implica” na existência das criaturas. Para ele, algo pode ser sem existir. Essa ideia faz com que ele conclua que as criaturas “não existem por si mesmas, e sim devido a uma outra realidade”.

        Tomás de Aquino foi “agraciado” pelo seu “espirito analítico, a capacidade de ordenação metódica e a habilidade dialética que ele aliava a um profundo sentimento de fé cristã”.

        Quando Tomás de Aquino faz uma distinção real, não meramente conceitual, entre a essência e a existência, ele inaugura o fundamento metafisico da possibilidade ou não-possibilidade da existência das criaturas. Ele introduz no pensamento de Aristóteles, sem a autorização daquele, a ideia de criação. O ambiente em que vive Tomás de Aquino propicia a criação de Deus.

“Apenas em Deus haveria identidade entre essência e existência”.

 

As vias que levam a Deus

        Com a premissa de que existe uma essência responsável pela existência de todas as demais criaturas, Tomás de Aquino prova a existência de Deus através de cinco vias estritamente apoiadas na razão.

“A primeira fundamenta-se na constatação de que no universo existe movimento. Todo movimento tem uma causa, que deve ser exterior ao próprio ser que está em movimento, pois não se pode admitir que uma mesma coisa possa ser ela mesma a coisa movida e o princípio motor que a faz movimentar-se”. Somente Deus.

“A segunda via diz respeito a ideia de causa em geral. Todas as coisas ou são causas ou são efeitos, não se podendo conceber que alguma coisa seja causa de si mesma”. Somente Deus.

“A terceira via refere-se aos conceitos de necessidade e possiblidade”. Se alguma coisa pode ou não existir, então ela não possui uma existência necessária e sim possível. “Assim, o possível não teria em si razão suficiente de existência. Para que o possível exista é necessário, portanto, que algo o faça existir”. Somente Deus para fazer algo existir.

“A quarta baseia-se nos graus hierárquicos de perfeição observados nas coisas”. Todas as criaturas existentes são diferentes entre si com diversos graus de capacidade, potencialidade, função, extensão, duração, etc. “Devera existir, portanto, uma verdade e um bem em si: Deus”.

A quinta via fundamenta-se na ordem das coisas. Todas as operações dos corpos materiais tenderiam a um fim. Deus.

 

        Com o pensamento de Tomás de Aquino, todas as provas da existência de Deus estão contidas nas cinco vias explicativas da realidade apresentadas anteriormente.

        “Torna-se perfeitamente concebível pela razão que o mundo seja um conjunto de criaturas contingentes, cuja existência é dada por Deus, criadas a partir do nada e escalonadas segundo graus diversos de perfeição e participação na essência e existência divinas”.

Assim, Tomás de Aquino, comprova pela razão que Deus existe.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

 

        A Psicologia de Rebanhos traz esse pensamento de Tomás de Aquino para questionar essas possibilidades “infinitas e ilimitadas” que a razão nos proporciona. Bem como, chamar a atenção para a desvalorização que essa mesma capacidade da nossa mente, de pensar infinita e ilimitadamente, faz dos nossos outros sentidos. Afinal, os nossos pensamentos são apenas as nossas próprias sensações do mundo aferidas biologicamente.

 

Referencias

 

DE AQUINO, Santo Tomás. O ente e a essência. São Paulo: Abril Cultural, 1985.

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