Modernidade ou pós-modernidade ou hipermodernidade?

        Você já ouviu falar de modernidade ou pós-modernidade ou hipermodernidade? Você sabe que diferença faz, para a sua vida, saber ou não sobre isso? Pois bem, no final do século 20, a partir dos anos 1980, as pessoas ainda se preocupavam em ser modernas. Você se considera uma pessoa moderna? Você sabe o que é ser moderno?

        O moderno tem como principal característica valorizar o agora, o momento presente. Para uma pessoa moderna, o próprio moderno já é antigo. Ser moderno, então, poderia ser qualquer outra coisa que você ainda não tinha sido antes. Apenas para deixar de ser aquilo que é para ser outra coisa.

        O moderno surge como um movimento de ruptura. O moderno é um movimento que serve para desvalorizar o que passou, o antigo. E destacar a efemeridade do presente. Mas também para fazer do futuro o lugar da felicidade da existência.

        Ora, mas o que há de moderno acreditar que é numa vida futura que está a felicidade? Rola de boca em boca, desde a muito tempo atrás, lá pelas terras do atual oriente médio, que um cara de cabelos compridos e barbas longas (está na moda, de novo) já havia dito isso no início desses últimos dois mil anos!

        Bem, mas havia a primazia da razão que se seguiu nos anos que se passaram. A razão reinava sobre a vida e criaria um novo mundo de paz, de equidade e de justiça. É, mas como tudo que é moderno, dura pouco …. e passa.

        Esse otimismo, foi característico do século 19, legitimado pelo advento da ciência e da filosofia das Luzes – movimento conhecido pelo nome de Iluminismo. Tanto o Cientismo e o Iluminismo da época não existem mais. Isto é moderno!

         Culpa das guerras do século 20? Onde estava a razão que reinaria sobre as tragédias humanas? A razão havia se tornado instrumento de dominação e escrava da burocracia. Mas, como tudo que é moderno, a dominação e a burocracia também passaram. E a modernidade passou.

Da modernidade a pós modernidade

        “Más línguas” dizem que a modernidade não conseguiu concretizar os ideais das Luzes que objetivava alcançar. Mas deu lugar a uma dinâmica de subjugação burocrática e disciplinar da convivência.

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        “Foucault foi sem dúvida o pensador que mais insistiu neste aspecto corrompido da modernidade que é a disciplina, cuja finalidade consiste mais em controlar os homens que em liberta-los”.

        Mas nem tudo são desgraças ou beneficências. A modernidade possibilitou a desqualificação do passado e a valorização do novo. A modernidade afirmou a primazia do individual sobre o coletivo – valorizando o gosto subjetivo e entronizando o efêmero.

Da pós-modernidade a hipermodernidade

        Bem, mas que diferença isso faz para nós, animais ainda mortais, necessitados, diariamente, de pão com manteiga ou arroz com feijão para sobreviver? Dizem as tais “línguas malignas” que o reinado do descartável seria uma característica da pós-modernidade.

        Portanto, caso você não tenha percebido, mas a modernidade já acabou. Se você foi moderno ou não … já foi. E vivemos a pós-modernidade. Leia esse “vivemos”, não como presente do indicativo, mas como pretérito perfeito, isto é, a pós modernidade também já foi.

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Hipermodernidade

        Uma sociedade caracterizada pela libertinagem – vale tudo! Pelo movimento – a gente corre atrás! Pela fluidez – a fila anda! Pela flexibilidade – ideologia, eu quero uma para viver! Indiferença pelas instituições – governo? Igreja? Escola? Família?

        Uma época de crianças maduras, responsáveis, organizadas, eficientes e tolerantes. As nossas crianças pós-modernas – donas dos seus narizes (cada uma do seu?), egocêntricas e contestadoras – dão lugar as crianças responsivas (malcriadas, respondonas?) e resilientes (elásticas?) e assertivas (realistas, dogmáticas?) dos tempos hipermodernos.

        Outra característica da hipermodernidade seria a passagem do capitalismo de produção da pós-modernidade para uma economia de consumo e de comunicação de massa.

A sociedade hipermoderna

        Você está cansado das cobranças e exigências de resultados a curto prazo? Você está cansado de ter que fazer mais no menor tempo possível? Você sempre tem de agir sem demora? Tudo é feito às pressas? Isto cansa a beça! Isto é ser hipermoderno!

        Você percebe que a corrida da competição faz priorizar o urgente à custa do importante? A meta é a ação imediata à custa da reflexão – primeiro você atira depois pergunta? Você percebe que o acessório é preferido à custa do essencial? Isto é hipermodernidade!

Desempenho hipermoderno

        Ainda dando ouvido as “mas línguas”, escutamos que a pressa tem substituído o vínculo humano pela rapidez – fui! Você tem confundido qualidade de vida com eficiência – milhões de “amigos” no Facebook! Você acredita que as normas e as cobranças obstruem o desempenho. Não se admire de você estar assim – tão cansado!

        Para “celebrar o sempre novo e os gozos do aqui-agora, a civilização consumista opera continuamente para enfraquecer a memória coletiva, acelerando o declínio da continuidade e da repetição ancestral”.

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa).

        Você sente que foi deixado a sua própria sorte? Você se sente desinserido da sociedade? Bem-vindo a hipermodernidade!

Hipermodernidade – Duração 3:46

Referencias

LIPOVETSKY, Gilles. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Editora Barcarolla, 2004.

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