O conceito de moda em que diferentes estilos se sucedem

Saia desse corpo que não lhe pertence!

 Capitulo 4

        “Na Idade Média o corpo serviu, mais uma vez, como instrumento de consolidação das relações sociais” (Barbosa, Matos e Costa, 2009). “O conceito de moda, em que diferentes estilos se sucedem, iniciou-se no final da Idade Média, com o surgimento de vestimentas especificas para cada sexo” (Pires, 2005).

        “As modificações na estrutura do vestuário masculino e feminino que se impõem a partir de 1350 são um sintoma direto dessa estética preciosista da sedução. O traje marca, desde então, uma diferença radical entre masculino e feminino, sensualiza como nunca a aparência.

        O caráter de sedução coloca a moda em oposição a religião. Moda é prazer. O indivíduo se modifica conforme seu desejo, se torna único, se sente parte de uma cultura.

        Beleza e características pessoais voltam a ser admiradas e aceitas, e o indivíduo se apodera novamente do seu corpo” (Pires, 2005).

        “É também na Idade Média que aparece a nova figura literária do cavaleiro andante, do amor cortês, refletindo, deste modo, uma visão muito diferente do corpo e das suas relações” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

        “O homem passou a cultuar a si próprio. As leis sobre o funcionamento da sociedade agora eram ditadas pela razão, e questões como os sentimentos, as emoções, a sexualidade, que durante a Idade Média eram tidos como ações pecaminosas, foram incorporados pela nova sociedade” (Cassimiro e Galdino, 2012).

No decorrer do século 16

        “A moda foi adquirindo características rígidas e desconfortáveis, que obrigavam os indivíduos a manterem uma postura altiva e hierárquica”.

        O rufo, “uma espécie de babado que envolve o pescoço do indivíduo inibindo seus movimentos. O indivíduo que o usava não precisava movimentar-se nem realizar nenhuma tarefa que necessitasse de esforço físico.

 

o-conceito-de-moda-em-que-diferentes-estilos-se-sucedem-iniciou-se-no-final-da-idade-media        O codpiece era um tapa-sexo que tinha como finalidade evidenciar o sexo masculino. O corpete, que é a parte frontal das blusas, mantido pelo uso de barbatanas frequentemente feitas de madeiras. Sua função era manter a postura ereta.

        Introduzido na moda do século 18, o sapato de salto alto, utilizado a princípio por indivíduos de ambos os sexos, restringe os movimentos, dificulta o deslocamento, se tornou, devido as atribuições sociais um objeto, exclusivo do vestiário feminino. A pinta aplicada inicialmente no rosto durou mais de meio século surgiu em 1655.

        Perucas masculinas – que já haviam sido usadas no século 14 e reaparecem no século 18 em diversos modelos, escolhidos conforme a atividade que o indivíduo desempenha. De forma a alongar a silhueta e restringir os movimentos.

        A ciência medica influencia os costumes e a moda, fazendo voltar o habito dos banhos, abandonado na Idade Média, e determinando uma mudança no vestuário, com a utilização de tecidos mais leves e a diminuição do volume das roupas” (Pires, 2005).

        “Levando em consideração que a sociedade moderna foi caracterizada e controlada pela Razão, o corpo como elemento social, também não fugiu desse controle. O fato de ele ser considerado pelas Ciências Biológicas no final do século XVII, como uma máquina cheia de engrenagens reflete a visão mecanicista, baseada na visão cartesiana.

        O fazer, o agir e o ato de se movimentar, eram ações primeiramente pensadas, esquematizadas e depois realizadas” (Cassimiro e Galdino, 2012).

Referências

 

BARBOSA, M. R.; MATOS, P. M.; COSTA, M. E. Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade; 23 (1): 24-34, 2011. Outubro de 2009. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

CASSIMIRO, Érica Silva; GALDINO, Francisco Flávio Sales. As concepções de corpo construídas ao longo da história ocidental: da Grécia antiga à contemporaneidade. Revista Eletrônica Print by. Μετάνοια, São João del-Rei/MG, n.14, 2012. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

PIRES, Beatriz Ferreira. O corpo como suporte da arte: piercing, implante, escarificação, tatuagem. São Paulo: Editora SENAC,2005.

2 respostas para “O conceito de moda em que diferentes estilos se sucedem”

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