O desejo de consumo das mais diferentes camadas sociais

Saia desse corpo que não lhe pertence!

 Capitulo 9

        “A partir do século XX, o corpo passou a ser, de fato, um produto comercializado. E virou o desejo de consumo das mais diferentes camadas sociais” (Cassimiro e Galdino, 2012). “O reflexo de um novo ambiente cultural que está relacionado com a nova forma de conceber e de relacionar-se com o corpo” (Fonseca, 2003).

        “No final do século XX e início do século XXI, a superexposição de modelos corporais nos meios de comunicação contribuiu, fundamentalmente, para a divulgação de uma ótica corpórea estereotipada. E determinada pelas relações de mercado” (Pelegrini, 2005).

        Na história da humanidade, assim como na contemporaneidade, “as diferentes sociedades sempre ostentaram um padrão de corpo e de beleza próprio, Há uma explícita tendência à supervalorização da aparência. O que leva as pessoas a buscarem formas corporais consideradas ideais para que sejam aceitas e admiradas na sociedade” (Cassimiro e Galdino, 2012).

        “A lembrança de acontecimentos especais e as emoções que estes despertam devem ser visíveis e estar registradas no que de fato lhes pertence: o corpo. O ambiente com alto apelo visual em que vivemos estimula o comportamento de que as diferenças precisam ser vistas. E não apenas sentidas e intuídas. A marca funciona como um sinal de inclusão” (Pires, 2005).

        “Os padrões de corpos exigidos na sociedade contemporânea não são construções pessoais. Mas uma imposição do consumismo. E de uma sociedade narcísica, que propaga uma ideia padronizada de beleza”. Pois é na negação da sua própria concepção de beleza que o indivíduo se encaminha “para ser incluído em determinado grupo ou tribo. Ou seja, é necessário negar suas próprias escolhas e, quando isso não acontece, corre-se o risco de ser excluído” (Cassimiro e Galdino, 2012).

        “Todo ser humano, independente da cultura ou de outros fatores possui os mesmos direitos, considerados ‘universais’. Essa massificação do homem acabou com as singularidades dos sujeitos” (Moura).

Da identidade para uma forma de identificação

        “À multidão está no vazio, que ela é a própria vacuidade. E é nisto que reside sua potência. Recusando a lógica da identidade, que transforma o povo em proletariado (em sujeito da história)” (Maffesoli, 1998).  Vivemos “a passagem de um modo de identidade (conotação ideológica) para uma forma de identificação (imaginal, conotação que interessa o imaginário). A identidade seria uma característica da modernidade, enquanto a identificação da pós-modernidade” (Barros, 2008).

        “O contexto social e histórico instável e em constante mudança. Associado ao enfraquecimento dos principais meios de construção da identidade; Como a família, a religião, a política, o trabalho, parece levar os indivíduos a apropriarem-se cada vez mais do corpo. Como meio de expressão do eu” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

        “Dizer que uma sociedade não tem identidade significa que não tem tradição. Moda e tradição são conceitos antagônicos.

        Para a nossa sociedade, criar moda é inserir o novo. O indivíduo convive com o efêmero e valoriza o descartável. Faz com que ele traga para mais próximo possível do seu próprio corpo a incapacidade de se relacionar com o que não apresenta mudanças. Com o que é estável, permanente.

        A moda, além de suprir essa necessidade permite o indivíduo se diferenciar dos demais. E ser reconhecido por alguma característica particular, pessoal, intransferível e insere o indivíduo em um grupo social, em um contexto de semelhantes” (Pires, 2005).

        O saber e o poder, interligados na modernidade, tendem a separação. Mediante as transformações que marcam a passagem da modernidade para a pós-modernidade. “O objetivo agora é a autonomia nos mais variados campos e diferentes graus – estético, social, político” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

Sujeitos de produção

        “A sociedade do século XXI já não é uma sociedade disciplinar, mas, sim, uma sociedade de produção. Os seus habitantes já não são, por sua vez, ‘sujeitos de obediência’. Mas, sim, sujeitos de produção. São empresários de si próprios“ (Han, 2014).

        “Sem raízes no passado e sem perspectiva futura resta ao sujeito pós-moderno o seu corpo como realidade incontestável” (Moreira, Teixeira e Nicolau, 2010).

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa).

        Identificar-se com um grupo para não se sentir excluído da sociedade ou singularizar-se como emergência de um eu que busca autonomia? Perder-se na multidão ou encontrar-se na solidão? O sujeito está em relação com o mundo, com as coisas e consigo mesmo. A emergência de um eu leva o homem a isolar-se. Enquanto a atração dos relacionamentos impulsiona o homem para o vínculo.

Referencias

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *