Por meio da expressão das emoções

Soltar e desbloquear

         Houve uma geração que foi educada para “engolir” o choro. Reprima-se, era a palavra da ordem. A partir da geração “Menudo”, não se reprima era cantado, dançado e gritado em coro. Em ambas as gerações e nas intermediarias, tentava-se adquirir um controle de si por meio da expressão das emoções. Na imensa maioria das vezes, porém, isso acontecia e ainda acontece às custas do caos muscular.

 

Relaxamento e alongamento

         Tanto a repressão quanto a não-repressão usadas em excesso, levam a falta de limites. Uma sugere “engolirmos” nos mesmos enquanto a outra nos incentiva ao “derrame” das emoções. Paralisia ou relaxamento das emoções – expressões de uma mesma desordem. O conceito de organização motora pede distribuição de tônus, e não relaxamento.

         Nem repressão nem não-repressão em excesso. Nem autocontrole nem “deixa a vida me levar”. A autonomia tem um custo. O preço da liberdade é a eterna vigilância. Tanto a autonomia quanto a liberdade precisam de uma preparação, de uma “ação consciente”. A reorganização motora não acontece sem darmos alguma informação aos músculos.

         Tanto a repressão quanto a não-repressão bloqueiam regiões do corpo, encurtando ou estendendo a musculatura. Os músculos precisam de comprimento adequado e tensão apropriada para redimensionar esses bloqueios na globalidade do corpo.

 

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Consciência do aparelho locomotor

         Como se consegue a consciência da ação? Fazendo exercícios. Quando você conhece como faz determinado gesto, você pode fazê-lo de outra maneira. É através do exercício que nós conseguimos nos conscientizar de cada etapa do desenvolvimento de um movimento.

 

Gesto e consciência

         Os gestos e movimentos de que hoje utilizamos são o resultado de decisões conscientes ou não tomadas ao longo da existência. Os seus gestos e movimentos são construções tanto da experiência coletiva quanto das diversas etapas de sua experiência individual. As transformações ocorridas no processo de formação de sua identidade estão expressas nos seus gestos e movimentos atuais.

         Podemos dizer que o gesto é uma expressão de nossos estados mentais, conscientes ou inconscientes. O gesto promove modificações em nossas articulações e em nossas estruturas musculares. A nossa sensibilidade se modela com a sua expressão.

 

Referencias

BERTAZZO, Ivaldo. Cidadão corpo: identidade e autonomia do movimento. São Paulo: Summus, 1998.

3 respostas para “Por meio da expressão das emoções”

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