Se andássemos de quatro pés não seriamos humanos

         Como fazemos para nos manter de pé? Quando estamos na posição em pé, estamos equilibrados? O que faz com que nos movamos? Se andássemos de quatro pés não seriamos humanos, seriamos um outro animal. O nosso aparelho locomotor constitui o suporte primordial de todas as outras estruturas próprias ao humano.

Que o corpo de cada um de nós é marcado por nossas experiências, não se discute. Mas, o que dizer de a nossa maneira de marcar o nosso corpo ser um projeto de vida para esse corpo? Para ser humano, o nosso aparelho locomotor se comporta como um “órgão do sentido”.

 

Isto é, o nosso corpo do sentido, a nossa humanidade.

 

         A maneira como sentamos, andamos, abraçamos ou brigamos está relacionada a nossa vida afetiva. Nossos movimentos refletem nossos afetos. Nossos afetos refletem nossos movimentos. Nossos comportamentos ou atitudes podem ser explicados pela nossa coordenação motora.

A forma como nos movemos no espaço está relacionada à maneira como vivemos o nosso corpo. Deixemos, pois, os antigos conceitos do corpo como maquina, como órgão executor ou como objeto de propriedade.

 

Todos os homens fazem os mesmos gestos, mas cada um os faz à sua maneira.

 

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Há uma forma de movimento própria a uma atitude? É preciso usar grande força muscular para ficar em pé, estável, ou apenas é preciso um equilíbrio adequado? É possível, com a sua participação, modificar a imagem que você tem de seu corpo e fazer com que você adquira uma nova maneira de utiliza-lo.

         Assim, por trás da variedade dos seus movimentos, podemos encontrar, inscrito na sua anatomia, um movimento básico, independente do objeto e do meio externo, porem adaptado a cada objeto e finalidade.

         Um movimento, percebido por uma criança de menos de um ano, pode, pois, ser gravado e será sempre executado em função dessa imagem percebida.

 

Todo gesto está carregado de afeto.

 

Todo afeto está investido em motricidade. A coordenação motora nos permite compreender como um movimento se organiza, paralelamente ao afeto que lhe corresponde. Assim, podemos estudar o afeto em função do movimento e o movimento em função do afeto.

         Um gesto não é um movimento aleatório. Existe uma finalidade que organiza o movimento. Há um fundamento nos seus gestos baseados nos movimentos de expansão e retração motora.  Um movimento é constituído de diversos fatores – tensão, orientação, complexidade, equilíbrio, unidade – em uma síntese essencialmente humana.

Erguer a cabeça, passar a posição sentada e, depois, a ereta, permite ao homem ver as suas mãos, relaciona-las e estabelecer aquela relação cabeça-mãos, que está na base de toda sua atividade de observação, manipulação e criação.

 

Referencias

BÈZIERS, Marie Madeleine e PIRET, Suzanne. A coordenação motora: aspecto mecânico da organização psicomotora do homem. São Paulo: Summus, 1992.

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