Sistema de bloqueios que impede o livre fluxo de sensações

        Na terapia lidamos com emoções. A emoção tem a capacidade de mobilizar ou paralisar o organismo. Dizemos que uma pessoa se encontra “travada” emocionalmente se, em algum nível, a sua mobilidade foi afetada. Uma emoção paralisada é, então, equivalente a um sistema de bloqueios que impede o livre fluxo de sensações através do corpo. O objetivo da terapia é, assim, localizar esses bloqueios e recuperar essa fluência.

        Podemos conceituar a emoção como um “movimento para fora”, uma expressão fundamental a todas as formas de vida. Mesmo organismos unicelulares mostram uma reação de expansão e contração em resposta a estímulos.

        Um organismo cria um estado de tensão quando ocorre uma mudança em seu ambiente. Um organismo mobilizado para enfrentar uma alteração no seu ambiente, apresenta duas reações esperadas, que podem ser resumidas como “luta” ou “fuga”.

        Se o organismo consegue se livrar da ameaça, atacando-a ou fugindo dela, ele soube lidar com a situação. Porém, o organismo pode não conseguir lidar com a situação nem lutando nem fugindo. Então, ele está “encrencado”: o organismo bloqueou o sistema de livre fluxo das sensações. É assim que você se encrenca.

        Cientistas observaram que macacos, usados em experimentos, desenvolveram ulceras por serem repetidamente colocados em situações de estresse que eles, os macacos, não puderam evitar.

        Na terapia, as pessoas são ajudadas a vivenciar seus “sentimentos ocultos” (sistema de bloqueio do livre fluxo das sensações) de raiva, tristeza, alegria, nojo, ansiedade, desejo e muitos outros, e encorajadas a expressa-los.

        No nosso rosto, expressamos vários “sentimentos que julgamos ocultos” ligados a impulsos contidos de morder, sugar, chorar ou fazer caretas. Cada uma dessas expressões está ligada a um sistema de bloqueio de livre fluxo de sensações traumáticas.

        O pescoço é um dos locais preferidos de contração muscular (bloqueio de uma emoção) na estrutura do corpo. As tensões (sistema de bloqueio do livre fluxo das nossas sensações) no pescoço impedem a sensação de conexão entre a cabeça e o restante do corpo. Essa sensação pode ser uma das hipóteses que explica o fato de muitas pessoas se sentirem identificadas com a sua cabeça e não reconhecerem o seu corpo como seu corpo.

 

“A sensação de identificação de uma pessoa está diretamente ligada à sua capacidade de se conscientizar daquilo que seu corpo sente”.

 

        Em nossa garganta, “prendemos” as expressões de soluçar, berrar e gritar. Prendemos a raiva no pescoço e espalhamos as suas tensões nos músculos dos ombros, que avançam para as nossas costas. Estar com as costas rígidas e os ombros tensos pode ser resposta ao bloqueio do livre fluxo das sensações de raiva.

        Depois do pescoço, a outra área preferida para armazenar as tensões é a do tronco, onde regulamos a respiração. A respiração é indispensável a vida e a qualquer forma de expressão emocional.

        Toda pessoa que bloqueia o livre fluxo das suas sensações apresenta distúrbios respiratórios. Esses distúrbios se manifestam num peito estufado e o abdômen encolhido, ou, numa respiração na qual um mínimo de ar é levado aos pulmões.

        Outra região preferida para o bloqueio emocional é a pelve. A imobilidade da pelve acarreta, provavelmente, dificuldades sexuais. No entanto, as dificuldades sexuais não estão restritas a imobilidade da pelve. Pois, as tensões, em qualquer parte do nosso corpo, afetarão a qualidade das sensações obtidas nas nossas vivencias.

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa). 

        Uma emoção paralisada cria um sistema de bloqueios que impede o livre fluxo de sensações através do corpo. A contenção de uma emoção é um processo comportamental. Um comportamento para ser modificado passa pela sua compreensão.  O objetivo da terapia é, assim, localizar essas contenções e recuperar a fluência das sensações.

Referencias

BOADELLA, David. Correntes da vida: uma introdução a biossíntese. São Paulo: Summus, 1992.

4 respostas para “Sistema de bloqueios que impede o livre fluxo de sensações”

    1. Boa noite, Aparecida.
      Sabemos que se uma pessoa não expressa a raiva que sente diretamente para o estimulo que a provocou, pode voltar a expressão da raiva para si. Essa expressão da raiva para si, podemos chamar de aborrecimento: uma raiva voltada para si. Sugiro a leitura de “Quando o prazer é direcionado para outras fontes de dor” no endereço http://psicologiaepsicoterapia.psc.br/quando-o-prazer-e-direcionado-para-outras-fontes-de-dor/
      Observamos que os sentimentos de raiva voltados para si provocam várias modificações no organismo que sofre essa raiva. Entretanto, não temos pesquisas suficientes para concluir que um aborrecimento possa desencadear uma apendicite. Sugiro a leitura de “Sentimentos de dor e de prazer formam o nosso jeito de ser” no endereço http://psicologiaepsicoterapia.psc.br/sentimentos-de-dor-e-de-prazer-formam-o-nosso-jeito-de-ser/
      Estou disponível para mais esclarecimentos.
      Obrigado pelo comentário.
      Jorge Lagos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *