O que denominamos realidade é construído pela mente

        “O universo físico não existe independentemente do pensamento dos participantes. O que denominamos realidade é construído pela mente. O mundo não é o mesmo sem você. O universo físico não existe sem os nossos pensamentos sobre ele.

        Construímos a nós mesmos e construímos uns aos outros para além do tempo. A maneira como olhamos as coisas afeta aquilo que olhamos por vias muito sutis. Por vias muito sutis, a maneira como prestamos atenção em nos mesmos e nos outros muda-nos continuamente em algo novo. Aquilo que pensamos de nós mesmos e de cada uma das outras pessoas determina a maneira como aparecemos a ela e a nós mesmos. Se eu mudar meus pensamentos acerca de mim e de você, mudarei a mim e a você!

        A sequência temporal não tem significado, pois essas construções acontecem além do tempo. A razão pela qual as sequências temporais são desprovidas de significado é que esse procedimento de construção tem início antes mesmo que a matéria se materialize. As ondas quânticas podem mover-se, e realmente o fazem, muito, muito rapidamente. De fato, podem mover-se mais depressa que a luz” (Toben e Wolf, 2006).

O modelo de mecânica quântica do átomo

        Com a Física Clássica, os elétrons foram tratados como partículas que existiam em órbitas precisamente definidas. No início do século 20, surgiu a ideia de que partículas poderiam exibir um comportamento de onda. Os físicos passaram a acreditar que o comportamento dos elétrons dentro de átomos poderia ser explicado ao tratá-los como ondas de matéria. “Este modelo, que é a base do entendimento moderno do átomo, é conhecido como a mecânica quântica ou modelo ondulatório” (Khan Academy, 2017).

Luz é onda ou partícula?

        “Luz é uma entidade quântica que pode tanto se comportar como onda quanto como partícula” (Braz Junior, 2015). “O que significa dizer que um elétron se comporta como uma partícula e como uma onda? Ou que um elétron não existe numa localização específica, mas que está espalhado por todo o átomo?” (Khan Academy, 2017).

        “Podemos concluir que os fótons (partículas com massa em repouso nula constituída por um quantum de energia luminosa) se propagam como ondas, mas na sua interação com os elétrons, átomos e íons, comportam-se como partículas, transferindo momento e energia. Duas lições emergem quando se considera esta dualidade onda-partícula. A Física Clássica, que tão bem explica o movimento dos objetos macroscópicos, gerou em nós, significados bem distintos para a palavra ‘partícula’ e para a palavra ‘onda’.

 Partícula: objeto com massa e forma bem definida.

Onda: perturbação num meio material contínuo, de que são bons exemplos as ondas na superfície da água.

        A exploração do mundo dos átomos tem como pano de fundo esta dicotomia. Os átomos e os elétrons pertenciam claramente a classe das partículas e a luz emitida pelos átomos excitados ou pelos elétrons acelerados tinha nitidamente caráter ondulatório. Mas a descoberta do caráter corpuscular dos fótons e das propriedades ondulatórias dos elétrons pôs em causa essa dicotomia. Com relutância, mas inevitavelmente, foi preciso aceitar que a distinção entre onda e partícula não se aplica ao nível atômico” (Prass, 2017).

Mais rápido que a velocidade da luz?

        “Os físicos chamam o pensamento de ‘pré-matéria’! E a pré-matéria pode se mover através do tempo. Einstein (1879-1955) e seus seguidores mostraram que tudo o que move mais depressa que a luz pode ser observado em sequências temporais inversas. Dizem que uma onda quântica é uma onda de probabilidades que se move mais depressa que a luz e conecta nossas mentes com o mundo físico. As ondas quânticas estão em nossas mentes e também fora delas, no mundo, determinando a probabilidade da ocorrência dos fatos.

        Se as partículas de quaisquer objetos pudessem viajar mais depressa que a velocidade da luz, elas também poderiam romper a barreira de tempo. As partículas conseguem se comunicar ao longo de grandes distâncias porque, na verdade, elas não estão separadas. As partículas, no nível mais profundo da realidade, não são indivíduos, mas partes de um todo maior e mais fundamental. E, sendo bastante simplista, o que nos interessa agora não é embrenharmos em teorias da física quântica, mas tornar possível ao nosso raciocínio saber que estamos todos interligados e que nossa mente pode mover as energias do universo” (Farage, 2012).

Pode o pensamento influenciar a intensidade das ondas quânticas?

        O resultado de uma observação altera a função de onda de um sistema. Por exemplo, observe como você está respirando. O simples fato de você observar a sua respiração modifica o ritmo (função) da onda da sua respiração. “Além disso, a função de onda modificada é, em geral, imprevisível antes que a impressão obtida em decorrência da interação penetre em nossa consciência: é a entrada de uma impressão em nossa consciência que altera a função de onda, porque ela modifica nossa avaliação das probabilidades para diferentes impressões que esperamos receber.

        As condições e propriedades físico-químicas… não apenas criam a consciência; elas também influenciam mais profundamente as sensações” (Toben e Wolf, 2006). Inversamente, a consciência influencia as condições físico-químicas?

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa).

        “O pensamento pode modificar a intensidade das funções de onda quântica. Ora, a intensidade de uma onda quântica é uma medida da probabilidade de ocorrência de um evento. Quanto mais aguda for a percepção ou consciência do observador, maior será a probabilidade de o evento ocorrer. A consciência modifica a onda quântica e, desse modo, altera o mundo físico” (Toben e Wolf, 2006).

Referencias

BRAZ JÚNIOR, Dulcídio. Luz onda ou partícula? Blog Física na veia. Acesso em 25/10/2015. Disponível em

FARAGE, Carmem. Pensamento e ondas quânticas. Sobre o fim dos tempos. Publicado em 13 de agosto de 2012. Acesso em 10/10/2017. Disponível em

KHAN ACADEMY. O modelo de mecânica quântica do átomo. Acesso em 10/10/2017. Disponível em

PRÄSS, Alberto Ricardo. Objetos clássicos e quânticos: conceitos de onda e partícula e dualidade onda-partícula. Porto Alegre: Instituto de Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Acesso em 10/10/2017. Disponível em

TOBEN, Bob; WOLF, Fred Alan. Espaço-tempo e além: rumo a uma explicação do inexplicável. São Paulo: Cultrix, 2006.

 

De cada vez que me mataram

Da vez primeira em que me assassinaram

Da vez primeira em que me assassinaram

Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.

Depois, de cada vez que me mataram,

Foram levando qualquer coisa minha…

* * *

 Da contradição

Se te contradisseste e acusam-te… sorri.

Pois nada houve, em realidade.

Teu pensamento é que chegou, por si,

Ao outro polo da verdade…

* * *

Cruel amor

Um dia, da ponta daquela mesa comum de hospedes,

Dona Glorinha me interpelou:

– Seu Mario, o senhor ainda não leu o CRUEL AMOR?

Não, eu nunca tinha lido o CRUEL AMOR…

Pois tudo que falta a minha vida

Toda a imperfeição em que ainda me debato

Vem de eu nunca ter lido o CRUEL AMOR…

De ter achado ridículo o título…

De ter achado ridícula a transcendental pergunta de Dona Glorinha!

* * *

Liberdade condicional

Poderás ir até a esquina

Comprar cigarros e voltar

Ou mudar-te para a China

– Só não podes sair de onde tu estas.

* * *

Poema

O grilo procura

No escuro

O mais puro diamante perdido.

 

O grilo

Com as suas frágeis britadeiras de vidro

Perfura

As implacáveis solidões noturnas.

 

E se isso que tanto buscas só existe

Em tua límpida loucura

 

– que importa? –

 

Exatamente isto

É o teu diamante mais puro!

* * *

Descobertas

Descobrir Continentes é tão fácil como esbarrar com um elefante:

Poeta é o que encontra uma moedinha perdida…

* * *

O ovo sapiens

o homem pensa para dentro, e disto orgulha-se porque

na sua cabeça cabe o universo

como num ovo.

Na sua cabeça está o universo

– aprisionado –

 

O homem tem a pobre, a estreita cabeça

Fechada…

* * *

Do sobrenatural

Vozes ciciando nas frinchas… vozes de afogados soluçando nas ondas… vozes noturnas, chamando… pancadas no quarto ao lado, por detrás dos moveis, debaixo da cama… gritos de assassinados ecoando ainda nos corredores malditos… qual nada! O que mais amedronta é o pranto dos recém-nascidos aí é que está a verdadeira voz do outro mundo.

* * *

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa).

        Viver é morrer a cada instante, a cada experiencia nova, a cada despertar. E quando não morremos por nós mesmos, os outros nos matam. Os outros estão sempre prontos para nos dar aquele empurrãozinho para o precipício. A queda é inevitável e só dá para contar consigo mesmo, pois aonde quer que a gente vá, sempre ira junto esse sentimento de sermos um eu.

QUINTANA, Mario. Antologia poética. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.

 

Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse

 

O guardador de rebanhos

 

Eu nunca guardei rebanhos,

Mas é como se os guardasse.

 

Pensar incomoda como andar a chuva

Quando o vento cresce e parece que chove mais.

 

Não tenho ambições nem desejos

Ser poeta não é uma ambição minha

É a minha maneira de estar sozinho.

 

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Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do mundo…

 

Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender…

 

O mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

 

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe por que ama, nem o que é amar.

 

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar …

 

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Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do universo

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura…

 

Nas cidades a vida é mais pequena

Que aqui na minha casa no cimo desse outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,

Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

 

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Sou um guardador de rebanhos,

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

 

Pensar uma flor é vê-la e cheira-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

 

Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de goza-lo tanto,

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.

 

 

CAEIRO, Alberto. O guardador de rebanhos. In PESSOA, Fernando. O guardador de rebanhos e outros poemas. São Paulo: Cultrix, 1997.