As emoções propriamente ditas

        “Classificar é um mal necessário. A medida que os nossos conhecimentos aumentam, os rótulos e as classificações deverão melhorar e tornar-se um mal menor. A classificação básica para as emoções propriamente ditas faz uso de três categorias: emoções de fundo, emoções primarias e emoções sociais”.

        As emoções de fundo, como o nome sugere, são especialmente baixas, estão no fundo. As emoções de fundo são percebidas em manifestações sutis. Elas são percebidas nos movimentos dos membros ou do corpo inteiro, na força desses movimentos, na sua precisão, na sua frequência e amplitude. Também podem ser percebidas na melodia da voz, nos ritmos da fala, na maneira de emissão dos sons da fala, etc.  “As emoções de fundo são manifestações compostas de reações” que visam regular o funcionamento do organismo e se desenrolam e acontecem a todo instante.

        “As emoções primarias (ou básicas) são mais fáceis de definir. A lista inclui o medo, a raiva, o nojo, a surpresa, a tristeza e a felicidade”.

        “As emoções sociais incluem a simpatia, a compaixão, o embaraço, a vergonha, a culpa, o orgulho, o ciúme, a inveja, a gratidão, a admiração e o espanto, a indignação e o desprezo”.

        Muitas reações de regulagem do organismo são compostas de diversas combinações dos tipos de emoções de fundo, primarias e sociais. “Por exemplo, quando o desprezo utiliza as expressões faciais do nojo, uma emoção primaria”.

As nossas emoções promovem respostas emocionais nos outros

        “Uma emoção social está profundamente gravada no cérebro, pronta para ser utilizada quando chega o momento apropriado”. Nós já nascemos com essas emoções? Essas emoções já estão prontas para serem usadas logo após o nosso nascimento? “A resposta não é a mesma para todas as emoções. Em certos casos, as emoções são de fato inteiramente inatas. Noutros casos, requerem um grau mínimo de exposição apropriada ao ambiente”.

        “É muito provável que a existência de emoções sociais tenha tido um papel no desenvolvimento dos mecanismos culturais de regulação social”. As reações de dominância ou submissão social podem ser um exemplo desse desenvolvimento. “Por que algumas pessoas se tornam líderes e outras seguidoras, por que algumas impõem respeito e outras se acovardam, tem muitas vezes pouco a ver com os conhecimentos ou aptidões dessas pessoas, mas muitíssimo a ver com qualidades físicas que promovem certas respostas emocionais nos outros”.

A satisfação e o controle das emoções

        “A satisfação das pulsões – fome, sede e sexo – causa alegria; mas bloquear a satisfação dessas pulsões pode causar raiva, desespero e tristeza”.

        As emoções sociais não são, de forma nenhuma, exclusividade dos seres humanos. “A maior parte dos seres vivos que exibem emoções detecta a presença de certos estímulos no ambiente e responde impensadamente com emoção”.

        “Quando os seres humanos equilibram automaticamente o pH do seu meio interno, ou reagem com felicidade ou medo a certos objetos, também não estão deliberadamente escolhendo. Certos organismos podem produzir reações vantajosas que levam a bons resultados sem decidirem produzir essas reações e possivelmente mesmo sem sentirem a ocorrência dessas reações”.

        “As reações automáticas criam no organismo humano, sem dúvida, condições representadas como agradáveis ou dolorosas, e finalmente feitas conscientes. Os seres humanos conscientes da relação entre certos objetivos e certas emoções podem esforçar-se, de livre e espontânea vontade, para controlar as suas emoções, pelo menos em parte”.

 

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações (Fernando Pessoa).

        Ah! São tantas as emoções! Quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo! A vida de grande parte dos organismos vivos é regida pelas emoções. Conhecer como lidar com as nossas emoções nos possibilita aprender como potencializar a nossa capacidade de regular o prazer e a dor de nossas vidas.

 

Referencias

DAMÁSIO, António. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.