A tatuagem era uma prática tradicional

Saia desse corpo que não lhe pertence!
 
Capitulo 6

 

        A tatuagem foi redescoberta no Ocidente na época das “grandes expedições marítimas que se realizaram durante o século XVIII. E, em especial, às ilhas do Pacífico, onde foi observado que a tatuagem era uma prática tradicional, bastante expandida e com importantes funções sociais” (Fonseca, 2003).

        Considerado um dos primeiros registros literários do qual se tem notícia, James Cook, quando esteve no Taiti, na Polinésia, relatou em seu diário, no ano de 1769: “os nativos usavam espinhas de peixe muito finas ou ossos de pássaros para perfurar a pele e injetar um pigmento feito à base de carvão e ferrugem.

        A palavra tatuagem tem origem na palavra tattow, escrita por Cook em seu diário, também conhecida como tatau” (Ferreira, 2012), “A origem do nome tatuagem como o conhecemos tem uma história curiosa: ‘Tatau’ como era chamada inicialmente pelos nativos taitianos, era a forma como se referiam à onomatopeia do som emitido durante a execução da tatuagem” (Simões, 2011).

        “Somente quando os marinheiros e viajantes talharam suas peles foi que se estabeleceu uma ponte através da qual o Ocidente se aproximou e iniciou sua trajetória na tatuagem” (Fonseca, 2003).

        “Os desenhos na pele não eram exclusivos para ritos de passagem, celebrações de eventos sociais ou proteção, eram muito usados também para amedrontar os inimigos. São chamadas de pinturas de guerra e, dependendo da cor, servia também como camuflagem na floresta” (Silva, 2010).

 

 

“As mudanças econômicas e sociais causadas pelo capitalismo e pela industrialização tiram do corpo a dimensão humana e o transformam num instrumento de trabalho, que deve ter seus instintos dominados, educados e disciplinados” (Pires, 2005).

        “A disciplina e controle corporais eram preceitos básicos. Todas as atividades físicas eram prescritas por um sistema de regras rígidas, visando a saúde corporal” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

        “A obtenção do corpo sadio circundava a dominação do indivíduo: a prática física domava a vontade, contribuindo para tornar o praticante subserviente ao Estado.

        Na lógica de produção capitalista o corpo mostrou-se tanto oprimido, quanto manipulável. Era percebido como uma ‘máquina’ de acúmulo de capital. Deste modo, os movimentos corporais passaram a ser regidos por uma nova forma de poder: o poder disciplinar.

        As novas tecnologias de produção em massa desencadearam um processo de homogeneização de gestos e hábitos que se estendeu a outras esferas sociais, entre elas a educação do corpo, que passou a identificar-se não só com as técnicas, mas também com os interesses da produção.

        A padronização dos conceitos de beleza, fundada no corpo magro ou musculoso, ancorada pela necessidade de consumo, criada pelas novas tecnologias e homogeneizada pela lógica da produção, foi responsável por uma diminuição significativa na quantidade e na qualidade das vivências corporais do homem contemporâneo” (Pelegrini, 2005).

        No século 19, se referiam a sociedade como “uma sociedade anónima, uma vasta população de gente que não se conhece. O trabalho, o lazer, o convívio com a família são atividades separadas, vividas em compartimentos a ela destinados. O homem procura proteger-se do olhar dos outros…

        Disciplinamos o corpo para que consigamos reconhecimento social e aprovação, estando o prazer associado ao esforço, o sucesso à determinação e a intensidade do esforço será proporcional à angústia provocada pelo olhar do outro” (Barbosa, Matos e Costa, 2009).

Psicologia de Rebanhos

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

(Fernando Pessoa)

        A Psicologia de Rebanhos parte da hipótese de que somos o nosso corpo. E que o corpo de cada um de nós é função das nossas relações sociais e pessoais. Cada sociedade se compõe de corpos específicos que cumprem determinada finalidade. Cada sociedade necessita de corpos com habilidades especificas para manter a sua hegemonia cultural.

        Nossos corpos são instrumentos sociais que cumprem uma função especifica na sociedade. Conhecer como nós agimos socialmente e como esse nosso agir social afeta nossa vida pessoal é a nossa tarefa. Aprender a lidar com o que a sociedade quer de nós e o que nós queremos da vida é o nosso limite. Atuar fora desse espaço entre o social e o pessoal é penetrar num mundo de indeterminação.

 

Referencias

BARBOSA, M. R.; MATOS, P. M.; COSTA, M. E. Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade; 23 (1): 24-34, 2011. Outubro de 2009. Acesso em 05 de junho de 2015. Disponível em

FERREIRA, Deborah Cristina. O corpo como texto: analise discursiva da escrita no corpo. Revista Eventos Pedagógicos, v. 3, n. 1 Numero Especial, p. 138 – 146, abr, 2012. Acesso em 08 de março de 2015. Disponível em

FONSECA, Andrea Lissett Perez. Tatuar e ser tatuado: etnografia da pratica contemporânea da tatuagem. Florianópolis, agosto de 2003. Acesso em 08 de março de 2015. Disponível em

PELEGRINI, Thiago. Imagens do corpo: reflexões sobre as acepções corporais construídas pelas sociedades ocidentais. Revista Urutágua – revista acadêmica multidisciplinar  – Quadrimestral – Nº 08 – Dez/Jan/Fev/Mar de 2005/6 – Maringá – Paraná – Brasil – ISSN 1519.6178. Centro de Estudos Sobre Intolerância – Maurício Tragtenberg, Departamento de Ciências Sociais – Universidade Estadual de Maringá (DCS/UEM). Acesso em 20 de julho de 2015. Disponível em

PIRES, Beatriz Ferreira. O corpo como suporte da arte: piercing, implante, escarificação, tatuagem. São Paulo: Editora SENAC, 2005.

SILVA, Bruna Cristina Daminelli. A tatuagem na contemporaneidade. Criciúma, julho de 2010. Acesso em 21 de julho de 2015. Disponível em

SIMÕES, Renan. A Comunicação não Verbal Através da Tatuagem. XIV Conferência Brasileira dos Estudos da Folkcomunicação – “O artesanato como processo comunicacional” – IX Encontro Regional de Comunicação, 2011. Acesso em 21 de julho de 2015. Disponível em

 

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