Tensão não vem de fora para você, ela é alguma coisa que você produz

        Uma vez, encontrando-se distraído, você se perguntou sobre o significado da vida. Para que serve o estudo, o trabalho, as compras no shopping, o aborrecimento, comer, beber ou se esquentar no corpo de alguém? Enfim, em que consiste a vida? Tensão não vem de fora para você, ela é alguma coisa que você produz.

 

Enfim, qual o significado da vida?

        Se você está sentado, fique onde está. Senão, sente-se com a coluna ereta, não rígida, em uma cadeira. Feche os seus olhos e acompanhe os seus pensamentos por no mínimo cinco segundos e no máximo um minuto, caso consiga. Vamos lá, feche os olhos e acompanhe os seus pensamentos, depois volte a leitura.

        Pois bem, de volta a leitura. Vivencie o que está escrito. Deixe que os seus pensamentos se vão. Experiencie os seus pensamentos indo. Deixe as palavras irem. Vivencie as palavras indo. Como você faz isso? Não se detenha nos pensamentos. Deixe os seus pensamentos irem.

Sinta, sem usar as palavras, como você se sente.

        Agora, transfira a sua atenção para os seus pés. Sobre o que seus pés repousam? Sinta. Sem usar palavras ou imagens. Sinta cada um dos dedos dos seus pés sem move-los. Não tenha pressa. Sinta o dorso dos seus pés. Sinta os seus tornozelos. Respire.

        Sinta as suas panturrilhas. Sem pressa. Sinta os seus joelhos. Sinta as suas coxas. Respire. Sempre respire, lentamente. Sinta as suas nádegas. Você está se conhecendo ou reconhecendo. Faça esse exercício, lentamente. Sinta como você toca a cadeira que sustenta você. Respire. Sinta o seu estomago. Sinta o seu peito. Respire e perceba como você respira. Sinta as suas costas. Sinta as suas costas na cadeira, se estiverem encostadas na cadeira. Caso suas costas não estejam encostadas na cadeira, como você sente as suas costas?

 

        Sinta os seus ombros. Sinta os seus braços.  Respire. Sinta os seus cotovelos. Sinta os seus antebraços. Você está conhecendo a si mesmo. Sinta os seus pulsos. Sinta as suas mãos. Respire.

        Esfregue as suas mãos e as ponha em algum lugar do seu corpo. Sinta o calor das suas mãos. Sinta cada um dos seus dedos. Sinta o seu pescoço. Inspire, pause, expire, pause. Sinta os seus lábios. Sinta as suas faces. Faça caretas. Sinta o seu nariz. Sinta os seus olhos. Respire lentamente. Sinta todo o seu rosto.

        Sinta a sua testa. Sinta o topo da sua cabeça. Inspire, pause, expire, pause. Sinta a parte posterior da sua cabeça. Agora sinta o seu corpo como um todo: dos pés à cabeça. Sem pressa. Respire. Sinta a sua respiração. Sinta como os sons do ambiente chegam até você. Sinta como o seu corpo acolhe a atmosfera. Como você se sente agora? Não precisa responder. Apenas sinta, sem dar nome ao que você sente.

        Se puder, repita esse exercício com os olhos fechados.

 

Uma das características dos sentidos é a especialização

        Uma das características da visão é a seletividade. Quando vemos uma coisa, deixamos de ver outra coisa. Ver pode dividir o espaço em próximo e distante. Quando vemos, fazemos distinções, criamos as diferenças. Quando vemos, nos separamos do mundo. Quando vemos, separamos as coisas do mundo, em uma coisa e outra coisa. A visão nos separa do mundo.

 

        “Uma falta de contato físico produz nas crianças um aumento de irritabilidade, depressão e, em casos extremos, autismo: a falta da vontade de viver”.

 

Psicologia de Rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
(Fernando Pessoa)

 

        A Psicologia de Rebanhos trabalha com as sensações. O sentido que damos para a vida é alimentado pela nossa maneira de selecionar o que vivenciamos. Se eu olho para algo a minha frente, deixo de ver o que está atrás de mim. Se toco em algo tenho vivencias bem distintas desse algo quando não o toco. São os nossos sentidos que nos permitem dar um sentido à vida.

 

Referências

 

GUNTHER Bernard. Sensibilidade e relaxamento: debaixo da sua mente. São Paulo: Editora Brasiliense, 1989.

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