Uma tensão que rege a forma e o movimento do nosso corpo

         A organização mecânica do nosso corpo é regida pelo antagonismo muscular. Os nossos músculos, da cabeça a mão e ao pé, unem todo o corpo em uma tensão que rege a forma e o movimento do nosso corpo, constituindo a coordenação motora. Os nossos músculos estão constantemente alongados. O nosso equilíbrio em pé é mantido por um reequilíbrio constante entre a flexibilidade e a capacidade de extensão dos nossos músculos.

         “Os músculos flexores em geral são longos, suas fibras são menos numerosas do que as dos extensores, mas muito alongáveis. São músculos de grande deslocamento e seu trabalho é importante, porém breve. Eles são potentes, rápidos, dinâmicos, mas consomem muita energia se não trabalharem sob condições favoráveis. Os músculos extensores em geral são curtos, suas fibras, numerosas, são potentes, estáticos, econômicos, apropriados para a postura e favorecem a sustentação”.

         “Toda a complexidade da coordenação motora decorre das relações de equilíbrio que se estabelecem, não somente de musculo para musculo, entre flexores e extensores, mas, ao mesmo tempo, entre os nossos ossos e músculos. No movimento de flexão, todo o corpo se dobra, se reúne no tronco, que se enrola em seu eixo.   A coordenação motora tem atributos que permitem que o corpo tenha uma estrutura autônoma, encontre em si mesmo sua organização. O equilíbrio constante, seja qual for a forma de atividade ou de repouso, e a harmonia do movimento fazem com que a pessoa se sinta “bem””.

         A pele proporciona a autoimagem que fazemos de nos mesmos. A sensação da forma da pele se vincula a imagem de nosso próprio volume e do nosso movimento. A manipulação da pele nos permite recuperar as imagens correspondentes a sensação que temos de que somos esse que estamos tocando. “A pele nos permite perceber a forma de nosso corpo. Assim, nosso próprio volume no espaço tem uma forma percebida: na superfície, pela pele; e, na estrutura, pela sensação de sua mecânica e de seu estado de tensão. O corpo é, na realidade, um volume organizado pela coordenação, um espaço que tem uma forma e um movimento orientado”.

         “O ritmo de um gesto provoca uma sensação que, sem dúvida, passa despercebida. Observamos que pessoas incapazes de se dobrar em uma contração global e densa são, ao mesmo temo, incapazes de concentração, de atenção”. O nosso estado de tensão, a organização das percepções que temos de nos mesmos, a sensação da pele como recipiente, permitem perceber o nosso próprio corpo como um todo organizado, autônomo, interiorizado. O equilíbrio de um estado de tensão coordenado nos dá uma sensação de satisfação.

Psicologia de Rebanhos

“O rebanho é os meus pensamentos e os meus pensamentos são todos sensações” (Fernando Pessoa).

        Eu e você e todos os outros somos um monte de carne que tem uma forma e movimento e ocupa um lugar no espaço em uma época especifica. Somos um corpo, um monte de carne que se movimenta, organizado por uma coordenação muscular. Essa coordenação precisa lidar constantemente com estímulos. Esses estímulos provocam estressantes estados de tensão muscular. Quando conseguimos manter um estado de tensão que produz um equilíbrio nos nossos esforços, temos uma sensação de satisfação.

Referencias

BÈZIERS, Marie Madeleine e PIRET, Suzanne. A coordenação motora: aspecto mecânico da organização psicomotora do homem. São Paulo: Summus, 1992.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *